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A Colômbia e sua Literatura (91): Mario Mendoza

Rosemary Conceição dos Santos*

 

De acordo com especialistas, Mario Mendoza é um escritor colombiano nascido em Bogotá em 1964. Aos 16 anos, já aluno do Colégio Refous, escreveu seu primeiro livro. Ainda em sua cidade natal, tornou-se aluno na Pontifícia Universidade Javeriana, onde, já formado, lecionou por vários anos no Departamento de Literatura. Pós-graduando-se em Literatura Latino-Americana pela Fundação José Ortega y Gasset, em Toledo, Espanha, Mendoza veio a viver por um período no Kibutz Mefalsim, no sul de Israel. Em 1997, tornou-se professor visitante na Universidade James Madison, na Virgínia, EUA.

Empenhado na construção de uma prosa ágil e concisa, Mendoza busca criar um universo narrativo no qual torna possível encontrar beleza no feio e no repugnante, sem tentar disfarçá-lo com uma catarse fácil. Com isso, propõe uma estética hiperrealista, a saber gênero de artes visuais (pintura e escultura) que cria obras com um nível tão alto de detalhe e precisão que se assemelham a fotografias de alta resolução, sem medo de percorrer as regiões intrincadas da psique humana, nem de tangenciar as margens da loucura. Mantendo um olhar constante sobre o ritmo de vida das cidades; o autor é uma das vozes literárias mais relevantes de Bogotá nos últimos trinta anos.

Seus romances retratam os bairros, pontes, escolas, ruas, universidades, parques e as mudanças pelas quais a capital colombiana passou nessas décadas, demonstrando interesse em preservar ativistas que lutem, como ele, pela proteção da memória por meio de suas escritas. Sua literatura, portanto, ao resistir contra as injustiças do sistema, reflete a realidade social e a expõe francamente à sociedade. Com o tempo, a obra de Mendoza vem sendo reconhecida como uma valiosa contribuição para a literatura urbana colombiana, especialmente no que diz respeito à representação da cidade de Bogotá nas letras colombianas. Seus livros refletem o passado que o moldou.

Autor de vinte romances, contos e ensaios, entre os quais se destacam ‘Satanás’ (2002, vencedor do Prêmio Biblioteca Breve), “A Travessia do Vidente” (vencedor do Prêmio Nacional de Literatura do Instituto Distrital de Cultura e Turismo de Bogotá, em 1995)”; “Buda Blues” (2010, finalista do Prêmio Dashiell Hammett no Festival Gijón Noir)”; “Lady Massacre” (2013); “A Melancolia dos Feus” (2016); “Diário do Fim do Mundo” ( 2018); “Akelarre” ( 2019); “A Loucura do Nosso Tempo” (2010); “A importância de morrer no tempo” (2012); “Colômbia Paranormal” (2014); e “El livro das revelações” (2017). “Diário de naufrágios” (2021), “Ler é resistir” (2022) e “Vagabundos de Deus” (2024). Em 2018, ele concluiu “A Mensageira de Agartha”, uma saga para jovens adultos composta por dez títulos. Publicou, também, a graphic novel “Satan”, com ilustrações de Keco Olano. Isso marcou o início da colaboração entre os dois, que se materializou em dois projetos: a trilogia de graphic novels “Mysterion” (Kaópolis, Os Fugitivos e Os Sobreviventes) e a série de quadrinhos “O Último Dia na Terra”, composta por dez títulos.

‘Satanás” é um romance sobre a obscura presença do maligno na vida cotidiana. O pano de fundo é um retrato fragmentado da Colômbia contemporânea, e sua capital, Bogotá, cujas ruas vão e vêm de forma errática. Condenados a sofrer uma interminável culpa, os personagens deste inquietante relato vivenciam cenas intensas – e por vezes perturbadoras. Nele, uma mulher bonita e ingênua que rouba com destreza os altos executivos, um pintor habitado por forças misteriosas e um sacerdote que se vê diante de um caso de posse demoníaca. Essas histórias perambulam no bairro colonial de Bogotá. Narrativas que se tecem em torno do veterano da Guerra do Vietnã, Campo Elias, que inicia sua particular descida aos infernos. Obcecado pela dualidade entre o bem e o mal, entre Jekyll e Hyde, ele se converterá em um anjo exterminador”. Romance inspirado em um crime real que chocou Bogotá, com ele Mario Mendoza se prova uma das vozes mais poderosas da literatura latino-americana moderna

Vencedor do Prêmio Biblioteca Breve 2002, “Satanás” consagrou o autor Mario Mendoza como um dos melhores escritores da nova narrativa colombiana, uma literatura que se desvinculou do realismo mágico e tem descoberto novas vozes para uma nova realidade. Mendoza é dono de uma linguagem de extrema economia descritiva, limpa, e de uma capacidade narrativa que não permite histórias mal-acabadas. O resultado é uma obra autêntica, que deixa uma forte impressão na memória do leitor.

Seu trabalho também foi adaptado para o cinema; em 2007, o romance “Satanás” foi adaptado pelo diretor Andrés Baiz, e, em 2023, o Amazon Prime Video, dirigido por Juan Felipe Orozco, lançou “Los Iniciados”, filme baseado nas histórias protagonizadas pelo jornalista e detetive Frank Molina: “Lady Masacre”, “La melancolía de los feos”, “Diario del fin del mundo” e “Akelarre”.

 

Professora Universitária*

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