Templos e centros de meditação às margens do Rio Ganges, áreas de conservação ocupadas por rinocerontes no planalto queniano e ilhas de coral afastadas dos principais centros turísticos das Seychelles. Rishikesh, Laikipia e as ilhas exteriores do arquipélago representam formas distintas de viajar, mas têm em comum a procura por experiências de maior contato com a cultura e a natureza.
Os três destinos encerram a série iniciada pelo Tribuna Ribeirão sobre lugares selecionados pela agência Teresa Perez para viagens em 2027. A relação deve ser compreendida como uma curadoria da empresa, e não como um ranking baseado em reservas ou no número de visitantes.
Espiritualidade às margens do Ganges
Localizada no Estado de Uttarakhand, aos pés do Himalaia, Rishikesh tornou-se conhecida internacionalmente como um centro de yoga e meditação. A cidade reúne templos, escolas e ashrams, comunidades religiosas nas quais são oferecidas práticas espirituais, cursos e períodos de retiro.
Uma das cerimônias mais conhecidas é o Ganga Aarti, realizado ao entardecer às margens do Ganges. O ritual hindu reúne orações, cânticos e oferendas de luz ao rio. A participação de visitantes exige respeito às orientações dos responsáveis, aos espaços religiosos e aos costumes locais.
Rishikesh também mantém uma ligação com a história da música. Em 1968, os Beatles permaneceram no Chaurasi Kutia Ashram para estudar meditação transcendental com Maharishi Mahesh Yogi. Durante a temporada, o grupo compôs dezenas de músicas, muitas posteriormente incluídas no chamado “Álbum Branco”. O antigo centro de meditação, hoje conhecido como Beatles Ashram, foi aberto à visitação pública em 2015.
A viagem pode combinar práticas de yoga e meditação com visitas a templos e caminhadas. Rishikesh também é procurada para atividades como rafting e trilhas, mas a oferta depende das condições climáticas, da época do ano e das regras de segurança. Cursos e retiros devem ser avaliados previamente, porque duração, método e nível de exigência variam entre as instituições.
Conservação no planalto queniano
Laikipia fica na região central do Quênia, ao norte de Nairóbi, e reúne propriedades rurais e áreas de conservação públicas, privadas e comunitárias. Em vez de um único parque, o visitante encontra diferentes territórios administrados por organizações que conciliam proteção da fauna, pesquisa, atividades econômicas e participação das comunidades.
Um dos projetos recentes ocorreu na Loisaba Conservancy. Em 2024, o Serviço de Vida Selvagem do Quênia transferiu 21 rinocerontes-negros-orientais para a área. A espécie não era encontrada em Loisaba havia cerca de 50 anos. Os animais vieram do Parque Nacional de Nairóbi e das áreas de conservação de Ol Pejeta e Lewa, com o objetivo de estabelecer uma população reprodutiva e reduzir a pressão sobre outros santuários. Segundo a administração de Loisaba, seis filhotes nasceram depois da transferência.

Laikipia também ganhou atenção depois que câmeras de pesquisa registraram leopardos com melanismo, condição genética que deixa a pelagem escura. A presença do chamado leopardo-negro foi documentada em estudo publicado em 2019 no African Journal of Ecology. O registro científico, entretanto, não significa que o animal seja facilmente visto: trata-se de uma ocorrência rara e nenhum roteiro pode garantir o encontro.
Safáris em veículos são as atividades mais comuns. Caminhadas e passeios a cavalo existem em algumas áreas, mas dependem da estrutura e das regras de cada reserva. A viagem costuma exigir deslocamento rodoviário desde Nairóbi ou voos em aeronaves de pequeno porte até pistas regionais.
Ilhas além do roteiro convencional
As Seychelles são formadas por 115 ilhas distribuídas pelo Oceano Índico. Mahé, Praslin e La Digue concentram a maior parte da população e da infraestrutura turística. As ilhas exteriores, predominantemente coralinas, ficam a centenas de quilômetros desse núcleo e exigem planejamento mais cuidadoso.

Desroches está a cerca de 230 quilômetros de Mahé, enquanto Alphonse fica a aproximadamente 400 quilômetros. Mais distantes, Astove e Cosmoledo estão a mais de mil quilômetros da capital, Vitória. A infraestrutura para receber turistas está concentrada em poucas ilhas, e o acesso às áreas mais afastadas pode depender de voos fretados, barcos e operações especializadas.
Mergulho, observação de aves, passeios de barco e acompanhamento de projetos ambientais estão entre as atividades possíveis. Alphonse, por exemplo, mantém um centro de conservação dedicado ao monitoramento de aves, tartarugas e habitats marinhos. A presença de determinada espécie nunca deve ser tratada como garantida, sobretudo em ambientes naturais sujeitos às estações e às condições do mar.
As distâncias também tornam esses roteiros mais vulneráveis a mudanças provocadas pelo clima. Horários de voos e passeios podem ser alterados, e algumas operações têm temporadas específicas. Restrições de bagagem em aeronaves menores, disponibilidade limitada de serviços médicos e regras para proteção dos recifes devem ser verificadas antes da reserva.
Antes de viajar
Brasileiros precisam de visto ou visto eletrônico para entrar na Índia. O pedido deve ser feito exclusivamente pelo portal oficial do governo indiano. O país também exige o preenchimento eletrônico das informações de chegada.
Para o Quênia, é necessário obter previamente a autorização eletrônica de viagem, a eTA. Desde 5 de outubro de 2026, visitantes abrangidos pela norma também precisam contratar o seguro de saúde de entrada exigido pelo governo queniano. A contratação foi integrada ao processo da eTA.

As Seychelles exigem autorização eletrônica de viagem, solicitada dentro dos 30 dias anteriores à chegada. Entre os documentos pedidos estão passaporte, fotografia, informações do voo e comprovante de hospedagem.
Como as regras migratórias podem mudar, a consulta deve ser refeita nos portais oficiais antes da viagem. Nos roteiros mais remotos, também é recomendável verificar cobertura para atendimento médico e eventual remoção aérea, limites de bagagem, condições dos traslados e normas ambientais de cada área.

