Tribuna Ribeirão
Política

Democratas dominam Senado e Câmara

Jonathan Ernst
Trump diz que pode trabalhar com os democratas, mas também ameaçou usar o poder de veto presidencial para barrar a agenda dos adversários


Resultado configura uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump em meio às eleições legislativas de meio de mandato

O Partido Democrata conquistou na madrugada desta quarta-feira, 4 de novembro, a maioria das duas casas do Congresso dos Estados Unidos. O resultado configura uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump em meio às eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, realizadas na terça-feira (3). A “onda azul” permitiu aos democratas manter suas cadeiras no Senado e avançar sobre vagas historicamente ocupadas por republicanos.

Até as 15h30 (de Brasília) desta quarta-feira, os democratas conquistaram 237 cadeiras na Câmara dos Representantes, contra 139 dos republicanos. Para ter maioria simples, eram necessárias 218. A apuração ainda segue para definir as 59 cadeiras restantes. No Senado, os democratas ficaram com 54 assentos, ante 44 dos republicanos – são necessários 51 assentos para assegurar maioria. Dois ainda estão em apuração.

O vice-presidente JD Vance atribuiu as perdas republicanas nas eleições de meio de mandato à guerra no Irã. Trump sugeriu que poderia trabalhar com os democratas, mas também ameaçou usar o poder de veto presidencial para barrar a agenda dos adversários.

Para lidar com os próximos meses, os democratas prometem uma agenda de 100 dias para tentar reduzir os custos dos combustíveis, alimentos e outros produtos, além de projetos de lei para reverter cortes nos programas de saúde Affordable Care Act (Lei de Assistência Acessível) e Medicaid. Eles também prometem melhorar a fiscalização e responsabilização de criminosos.

Do outro lado da Câmara, os republicanos têm poucas chances de aprovar novas medidas partidárias antes do fim da legislatura, apesar da intenção de aproveitar as últimas semanas no poder. Também existe a possibilidade de Trump indicar outro juiz para a Suprema Corte, mas nenhum magistrado sinalizou que pretende deixar o cargo.

Além disso, o Congresso precisa aprovar o orçamento para evitar uma paralisação do governo federal. Nas próximas semanas, os partidos devem definir suas lideranças e a Câmara dos Representantes deve também eleger um presidente no início do novo Congresso.

Trump reconheceu que as consequências da guerra contra o Irã contribuíram para a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, mas disse não se arrepender da ofensiva. Nesta quarta-feira, em sua primeira manifestação pública após a votação, atribuiu o revés sobretudo à disparada dos preços da gasolina provocada pelo conflito, e não à guerra em si.

“Provavelmente essa foi a principal razão. O preço. Não a guerra, o preço”, afirmou. Trump alegou que não teve escolha ao atacar o Irã, citando o risco de o país desenvolver armas nucleares, e disse que já esperava um custo eleitoral. Segundo ele, a ofensiva “valeu a pena” e voltou a alegar que, se seu nome estivesse nas cédulas, os republicanos teriam vencido. O presidente afirmou ainda que o Estreito de Ormuz está aberto, que Washington faz “um ótimo trabalho” no Irã e que a guerra terminará “quando eu quiser que termine”.

Com os democratas conquistando o controle da Câmara e do Senado, Trump disse que poderá se entender com a oposição, “a menos que eles queiram ser destruídos”. Também advertiu que uma tentativa de impeachment contra ele “destruiria o Partido Democrata”. Em seu primeiro mandato, enfrentou dois processos de impeachment, mas foi absolvido pelo Senado nas duas vezes.

O mercado de apostas vê chances superiores a 70% de o presidente dos EUA, Donald Trump, sofrer um impeachment até o fim de seu mandato, em janeiro de 2029. O movimento ocorreu após a vitória dos democratas na Câmara e no Senado.

A plataforma Polymarket indica 77% de chance de Trump sofrer impeachment até 20 de janeiro de 2029. No curto prazo, até 31 de dezembro de 2026, a chance de o presidente ser afastado é mínima, de apenas 3%. No horizonte até 30 de junho de 2027, as apostas sobem para 43% e aceleram para 62% até 31 de dezembro do próximo ano.

Já na Kalshi, a chance de impeachment até o fim do mandato era de 76,7%. A plataforma indicava 44% de probabilidade de a Câmara aprovar o impeachment de Trump antes de 1º de abril de 2027; 54% antes de 1º de maio; e 58% antes de 1º de julho.

Apesar das apostas, o controle das duas Casas pelo Partido Democrata não significa que o presidente será afastado do cargo. Nos EUA, o processo de impeachment ocorre, em um primeiro momento, na Câmara – que deve aprovar as acusações por maioria simples – e, posteriormente, segue para o Senado, onde necessita do voto favorável de dois terços dos senadores presentes para ser confirmado.

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