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A Idade do Mundo

Antonio Carlos A. Gama*
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Eis aí a questão: que idade tem o mundo?
O mundo parece muito velho e muito novo. Este tópico obsidente já foi glosado por historiadores, arqueólogos, cientistas, religiosos e descrentes, filósofos, poetas e prosadores.
Os números, podemos compreendê-los e imaginar-lhes a grandeza até a alguns milhões. Chegados aos bilhões, não os compreendemos, escapam ao nosso entendimento.

A nós, que temos uns oitenta mil reais na poupança (e com que sacrifício!) não dá para inteligir os três, cinco ou dez bilhões de reais que alguns possuem nos Bancos, os bilionários mais ricos do país. Ou dólares, o que é pior. É uma dinheirama infinita.
Quando se trata da distância da Terra a outros astros, ao Sol, ou a outras estrelas mais longínquas, medida em anos-luz, isto nos é completamente inimaginável. O que demonstra também a nossa insignificância, bichinhos da Terra tão pequenos.

Uma viagem nas naus portuguesas até às Índias levava quase um ano, através dos mares tormentosos. Camões a fez, e voltou alquebrado para Lisboa. E pobre. Cristo, durante a sua vida, andou dentro de uma área bem restrita. No entanto, já agora, damos a volta ao mundo, de avião, em poucos dias. E conseguimos chegar até a Lua, e dela voltar. Ficamos mais sábios? Não, absolutamente não.

Há anedota do sujeito que ficou atormentado, quando outro, um cientista, afirmava, numa conferência, que o mundo acabaria dentro de tantos milhões de anos e perguntou-lhe: “O senhor disse seis milhões e cinquenta mil anos?” O outro respondeu-lhe: “Não, eu disse seis milhões e sessenta e cinco mil anos”. Ao que o primeiro suspirou, explicando: “Ah, então fico mais aliviado…”

Já houve quem avaliasse a temperatura do Céu e a do Inferno. E sustentou que não são assim tão diferentes, uns poucos graus a mais no Inferno, uns poucos a menos no Céu. O que significaria que nos torraremos em um ou no outro. Mas não chegou a calcular a temperatura do Purgatório. Suponho que seja intermediária entre um e o outro.

O calor da Terra está aumentando, e derretendo as geleiras dos polos. Prevê-se que, a continuar assim, dentro de alguns anos, derretidas as geleiras, ondas gigantescas se formarão, com o mar inchado, e invadirão todas as cidades praianas, afogando tudo.

O catastrofismo sempre existiu, e periodicamente se revigora, provocando pânico nas multidões, que tratam de rasgar as vestes, cobrir de cinzas as cabeças e arrepender-se dos pecados cometidos.
Machado de Assis, porém, já escrevia: “Nesta terra de muitos pecados, muitos pecados já se cometeram, e muitos mais se cometerão”.

* Promotor de Justiça, aposentado; Advogado; Professor de Direito; Escritor

 

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