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A polarização só existe com dois polos!

Foto: Arquivo

José Eugenio Kaça *
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A polarização que toma conta do Brasil, não é polarização, pois para haver polarização é preciso que haja dois polos extremos, coisa que não está acontecendo. De um lado está a extrema direita que usa da violência contra seus opositores (que chamam de inimigos), e que estão em uma guerra espiritual, mas que produz danos físicos. Do outro lado estão os defensores da Democracia, que coloca a Constituição acima de tudo, portanto, não há extremismo do outro lado como é apregoado. Chamar a situação atual de polarização nos condiz com a verdade.Entretanto, a imprensa homogenia e hereditária insiste no tema da polarização e acaba contaminando o ambiente.

O processo eleitoral foi contaminado pela ação do Ministro André Mendonça (o terrivelmente evangélico) que do púlpito de uma igreja avisou o que ia fazer no Supremo; e fez. Essa atitude (que ele mesmo confessou que errou) direcionou a campanha eleitoral de 2026, obstruindo os debates sobre as propostas dos candidatos, colocando a Suprema Corte diretamente nos debates políticos, mas ele avisou. O ódio contra a Suprema Corte, que já era visível, principalmente destilado pela extrema direta, por motivos óbvios, elegeu o Senado mais reacionário da história, com senadores imbuídos de uma única missão; cassar o ministro Alexandre de Morais.

Mas a eleição desta enxurrada da extrema direita, não aconteceu somente pelas vias normais – houve interferência externa direta. A Meta, o governo estadunidense, e no âmbito interno a atuação dos ministros indicados pelo inominável para o STF, que atuaram no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para beneficiar o candidato fujão, juntando a isso o consórcio miliciano. Levaram tudo no primeiro turno das eleições; Senado, Câmara dos deputados e a maioria dos governadores, tudo dentro do combinado com o Tio Sam. Porém, no segundo turno o jogo virou. O salto alto, e o desprezo pela democracia e pelo povo pobre, fez surgir das cinzas as energias que estavam adormecidas, e o povo acordou e foi para às ruas lutar pela democracia e pelos seus direitos que estavam sendo ameaçados – o jogo mudou. “Afinal de contas não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo”.

E aquilo que a maioria dos especialistas achavam que não ia acontecer, aconteceu. Foi a maior virada na história das eleições presidenciais no Brasil, que ecoou mundo a fora. O povo brasileiro salvou a Democracia, e mostrou para o mundo que a extrema direita pode ser derrotada dentro do seu campo, pois o povo aprendeu a jogar dentro das regras que só a extrema direta usava. Como tinham certeza da vitória, não se conformaram (para variar) com a derrota, e entraram em campo com aquilo que sabem fazer de melhor. Agressões verbais e físicas proliferaram, mais de dez mortes foram confirmadas por motivos políticos, ameaças de empresários de demitir quem votou no Lula, boicotar comércios que apoiaram a esquerda (isso já acometeu na Alemanha nazista). A extrema direita é movida pelo ódio, não admitem o contraditório, o conceito de Nação não existe para eles, a solidariedade não cabe em seus mundos. Não entenderam que a humanidade só chegou até aqui por causa da solidariedade. O povo brasileiro mostrou a sua pujança e que o Brasil é nosso, apesar de uma parcela da população equivocadamente escolher votar em um candidato ligado as milícias, que queria entregar o brasil de porteira fechada para o Império Do Norte. o autoritarismo não estimula a Democracia, nem define o lado certo da história.

Mataram a verdade, mas não foi em um beco escuro dos centros abandonados, e nem nos ambientes das periferias pobres. Ela foi assassinada em um ambiente de luxo e de ostentação.

* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

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