Tribuna Ribeirão
Polícia

Advogados suspeitos de vazar informações para PCC são presos

GAECO efetuou operação para, além das prisões, cumprir mandados de busca e apreensão, reunindo mais provas contra o esquema

Mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos contra advogados em Taquaritinga e Jaboticabal (Foto: Divulgação)

| Por: Adalberto Luque |

Dois advogados foram presos temporariamente na manhã desta terça-feira (23) durante a Operação Backdoor, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP). Além das prisões, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Taquaritinga e Jaboticabal. Cerca de R$ 100 mil em espécie também foram apreendidos durante a ação.

Segundo o Gaeco, os investigados são suspeitos de integrar um esquema de invasão de sistemas informatizados utilizados pelo Poder Judiciário para obtenção de informações protegidas por sigilo. As apurações apontam que os acessos teriam sido feitos de forma indevida, com uso de credenciais vinculadas a agente público.

Ainda de acordo com a investigação, os advogados não atuavam nos processos consultados e teriam acessado repetidamente os sistemas para obter informações antecipadas sobre medidas cautelares. Os dados seriam repassados a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), investigados por homicídios e outros crimes graves.

O Ministério Público afirma que os suspeitos funcionavam como elo operacional entre o núcleo responsável pela invasão dos sistemas e membros da facção criminosa. Com o vazamento das informações, parte dos alvos das investigações conseguiu fugir antes do cumprimento das medidas judiciais, frustrando parcialmente operações das autoridades. Alguns permanecem foragidos.

O objetivo desta fase da Operação Backdoor é identificar todos os envolvidos no esquema e reunir novas provas sobre a atuação do grupo. O material apreendido será periciado e analisado pelos integrantes do Gaeco.

Em nota, a o vice-presidente da 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ribeirão Preto, Giulliano Maçonetto, informou que a Comissão de Direitos e Prerrogativas acompanhou o cumprimento das diligências desde as primeiras horas da manhã para garantir o respeito às garantias constitucionais e às prerrogativas da advocacia. A entidade afirmou ainda que segue acompanhando o caso.

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