Rui Flávio Chúfalo Guião *
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A cerveja e o vinho foram as duas primeiras bebidas feitas pelo homem que se tornaram de uso mundial, consumidas pelas populações então conhecidas. A cerveja, de uso mais popular, espalhou-se pelo Oriente Médio e Europa, produzida principalmente pelos mosteiros cristãos que floresciam. E o vinho, mais elitizado, difundido pelo romanos, que o utilizavam em seus encontros e banquetes, bem como o entregavam a seus soldados como quota diária de dois litros da bebida, para diluir na água contaminada de então, enquanto espalhavam a vastidão de seu grandioso Império.
A bebida de uso mundial que se seguiu foram as preparadas por destilação.
Desde 3.000 a 2.000 anos a.C., já se conhecia o processo de destilação na Mesopotâmia e no Egito, que era utilizado somente para a elaboração de perfumes, óleos e medicamentos, não havendo destilação do álcool para consumo.
Entre os séculos VIII e X, os alquimistas muçulmanos aperfeiçoaram as técnicas de destilação. Avicena, um dos mais expressivos cientistas mouros, melhorou a forma de construir e usar os alambiques e começou a destilar o álcool, porém para uso medicinal.
A partir do século XII, os conhecimentos mulçumanos da técnica atingem a Europa, especialmente através das conquistas na Espanha e Itália e os monges e médicos de então começam a destilar o vinho, inicialmente como remédio e, depois, como bebida prazerosa, sob a forma da acqua vitae (água da vida), o primeiro álcool destilado bebível.
Com o desenvolvimento da Idade Média, as bebidas destiladas se propagam pelo mundo.
As bebidas fermentadas são feitas com a adição de leveduras ao mosto (de uva ou outra fruta), leveduras estas que transformam seus açucares naturais em álcool e gás carbônico, dando origem aos vinhos, que têm um limite de teor alcoólico, geralmente 15 a 16 graus. Este limite é baixo porque as próprias leveduras morrem se o álcool fica alto.
As bebidas destiladas são aquelas que, após o processo de fermentação, passam por destilação: aquecido o líquido, o álcool nele contido se evapora antes da água e é condensado e recolhido no alambique, processo que aumenta o teor do álcool, produzindo bebidas de 35 a 50% de teor, havendo algumas que ultrapassam este valor.
Exemplo de bebidas destiladas são a nossa popular cachaça, surgida no nosso período colonial, quando os senhores de engenho e os escravos perceberam que se destilassem a garapa fermentada, obteriam uma bebida mais forte e mais duradoura. O uísque, mais nobre, surgido na Escócia, da destilação de fermentados de cevada, milho, centeio e trigo, que se popularizaria no final do século XIX como bebida global. A vodca ,destilada de fermentados de batata, que se tornaria símbolo da Rússia e da Polônia e o Conhaque, que leva o nome da região de seu surgimento, Cognac e que nasceu da necessidade que tinham os produtores de vinhos locais de exportarem uma bebida resistente aos longos transportes.
Os cinco destilados mais consumidos hoje no mundo são: Baijiu, feito com sorgo, o mais consumido, pois é bebida tradicional da China. Vodca, principalmente russa ou polonesa. Uísque, principalmente oriundos da Escócia, Estados Unidos, Irlanda e Japão.Soju, bebida tradicional da Coreia do Sul, feito de arroz, batata doce e outros cereais, amplamente bebido naquele país. Rum, principalmente os do Caribe, base de vários coquetéis famosos.
Já no Brasil, os destilados mais bebidos são: a Cachaça, bebida nacional; a Vodca, popular entre os jovens; o Uísque, para ocasiões sociais e formais; o Rum, consumido bastante em coquetéis e a Tequila, destilada do agave mexicano.
* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

