Tribuna Ribeirão
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Casos automobilísticos

Rui Flávio Chúfalo Guião *
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Durante mais de cinquenta anos, exerci a função de CEO do Grupo Santa Emília, atividade que me deu muita experiência e muito prazer. Nesse período, tive ocasião de participar de vários casos interessantes ligados à minha profissão.

No começo, os veículos não eram cheios de tecnologia como hoje, pois os mesmos foram evoluindo devagar, até chegarem ao estado atual, semelhantes aos mais avançados que existem.

Os automóveis tinham afogador, uma alavanca que puxada permitia maior injeção de combustível, facilitando a partida, hoje inexistente.  Tinham também carburador, que controlava  a mistura do combustível, permitindo uma ignição mais rica, substituído pela injeção eletrônica.

A grande maioria dos mecânicos usava a audição para regular os equipamentos dos carros, hábito que foi substituído  pelas regulagens eletrônicas de hoje.

Mesmo agora com toda tecnologia, o grande desafio para os mecânicos é cuidar dos defeitos intermitentes, aqueles que ocorrem esporadicamente e desaparecem quando o carro chega à concessionária.

Uma das minhas melhores estórias diz respeito ao atendimento a uma senhora de meia idade, professora, dona de um Fusca. Reclamava que o carro não deslanchava, ficava dando trancos, que impediam o normal funcionamento do veículo.

Analisado por mecânico competente, não se achou nenhum problema. Depois de dois atendimentos e resultado negativo, pedimos à cliente que deixasse o carro dormindo conosco, pois o testaríamos com motor frio, que funcionou perfeitamente, sem nenhum problema.

Foi quando nosso Diretor de Pós-Venda teve a ideia de pedir à cliente que desse uma volta com o veículo, com o mesmo como passageiro.

E qual não foi a surpresa dele ao verificar que a senhora puxava toda a alavanca do abafador, fornecendo combustível a mais e fazendo com que o motor engasgasse, para nela pendurar sua bolsa.

Advertida de que esta prática estava causando o problema, respondeu que achava ótima a solução encontrada no Fusca de ter um lugar especial para pendurar a sua bolsa…

Outra estória divertida aconteceu numa manhã, quando estava trabalhando no meu escritório e uma jovem bonita, elegantemente vestida, abriu a porta e disse: “Bom dia, Dr. Rui. Posso falar com o senhor ?” .

Convidei-a a entrar e sentar e ela, com muita educação, logo foi dizendo: “Sou a princesa de Mônaco e preciso de sua ajuda. Fui eu que imaginei e desenhei o logotipo da Volkswagen e dei ao fabricante de presente. Em reconhecimento, aquela montadora me dá um automóvel  todos os anos. Escolhi a Santa Emília para me entregar o veículo.”

Surpreendido pelo fato inusitado, minha primeira reação foi achar que estava frente a uma grande  vigarista querendo nos enganar com uma conversa bem bolada. Entretanto, a moça continuou falando, relatou grandes viagens feitas, vários nomes importantes que teria recebido no palácio monegasco, dando-me conta de que se tratava de uma jovem com problemas mentais, apesar da bela aparência e da fluidez de sua fala. Com todo jeito, disse a ela que para formalizar a doação, precisava consultar o fabricante, pedindo seu telefone para futuro contato.

Foi quando a porta se abriu e uma senhora com ares preocupados, identificou-se e dirigiu-se a mim, dizendo que ela havia saído de casa sem que fosse notada e pedia desculpas pelo transtorno da  visita.

E assim, tranquilamente, a Princesa de Mônaco saiu de minha sala…

* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

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