Tribuna Ribeirão
Economia

Cesta básica sobe e
 atinge valor recorde

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Entre os 13 itens analisados pela amostra, os destaques da inflação do mês são a batata-inglesa (alta de 17,42%) e tomate italiano (9,14%)

Preço da cesta básica de alimentos essenciais desacelerou de 5,69% em maio para 2,88% em junho, mas atingiu valor recorde de R$ 861,25

O preço da cesta básica de alimentos essenciais nos mercados de Ribeirão Preto voltou a registrar inflação, mas desacelerou de 5,69% em maio para 2,88% em junho – 2,81 pontos percentuais abaixo –, oitava alta seguida após avanços de 5,98% em abril, 1,60% em março, 0,62% em fevereiro, 0,97% em janeiro, 0,47% em dezembro e 2,10% em novembro.

Antes, foram cinco quedas consecutivas: 0,55% em outubro, 1,91% em setembro, 1,46% em agosto, 1,64% em julho e 1,87% em maio. Não houve coleta de preços em junho de 2025. Antes, vinha de três altas seguidas: de 2,59% em fevereiro, 1,54% em março e 0,77% em abril.

Foram seis deflações no ano passado. Agora, o preço da cesta básica com 13 alimentos essenciais avançou de R$ 837,13 em maio para R$ 861,25, pela segunda vez seguida acima de R$ 800, novo recorde da série histórica e acréscimo de R$ 24,12, segundo a pesquisa.

No acumulado em doze meses, na comparação com os R$ 734,20 cobrados em julho de 2025 (registrou deflação de 1,64% na época), a alta chega a 17,30%, aporte de R$ 127,05. No ano, em relação aos R$ 724 de dezembro, sobe 18,96%, diferença de R$ 137,25

O valor da cesta básica foi de R$ 731,01 em janeiro, R$ 735,55 em fevereiro, R$ 747,35 em março e R$ 792,05 em abril. Encerrou 2025 em queda de 2,06% em comparação com o preço praticado em dezembro de 2024, quando a cesta com 13 alimentos essenciais custava de R$ 739,25, desconto de R$ 15,25. Uma das mais altas da série ocorreu em setembro de 2024, de 8,06%, segundo a pesquisa.

Encerrou 2024 com inflação acumulada de 15,3% – o aumento de 2,03% de dezembro foi o percentual mais elevado do período. O levantamento mensal é do Instituto de Economia Maurílio Biagi (IEMB) da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp).

O estudo aponta ainda que da região com menor custo (R$ 916,91) para a mais cara (R$ 796,06), o consumidor pode chegar a gastar até R$ 120,85 a mais pela compra dos mesmos 13 itens básicos. A variação chega a 15,18%, segundo a pesquisa.

Os dados do Índice Mensal de Cesta Básica foram divulgados nesta terça-feira (30). Os analistas percorreram 16 estabelecimentos nos dias 15 e 167: onze supermercados e hipermercados e cinco panificadoras distribuídas entre as cinco regiões da cidade. O levantamento não tem caráter fiscalizador.

Entre os 13 itens analisados pela amostra, os vilões do mês são a batata-inglesa (alta de 17,42%), tomate italiano (9,14%) e banana nanica (8,03%). A batata segue  em elevação diante da menor oferta, em um contexto de entressafra, produtividade abaixo do ideal e redução da área cultivada, fatores que podem limitar o recuo dos preços mesmo com o avanço da safra das secas.

A queda das temperaturas também influenciou parte dos itens de hortifruti: no caso do tomate, o frio atrasou a maturação dos frutos, em meio à menor produtividade e à oferta mais restrita no mercado; já a banana nanica teve a disponibilidade limitada e o calibre reduzido em importantes regiões produtoras. 

Em sentido oposto, destacam-se as quedas nos preços do arroz branco (-6,86%) e da carne alcatra (-1,72%), que contribuíram para atenuar parcialmente o avanço do custo total da cesta no mês.

Em junho, de modo geral, a elevação no custo da cesta básica teve ritmo mais moderado que nos dois meses anteriores, concentrando-se principalmente em itens de hortifruti. O movimento indica continuidade da redução do poder de compra no período, mantendo a alimentação como componente central do custo de vida das famílias.

O grupo alimentar que mais pesa sobre as despesas do ribeirão-pretano, com 41,87% do valor total da cesta, é o da carne. Frutas e legumes absorvem 28,77% do orçamento, seguidos de farináceos (16,80%), laticínios (5,95%), leguminosas (4,26%), cereais (1,60%) e óleos (0,74%).

No que se refere ao poder de compra, considerando o salário-mínimo bruto vigente de R$ 1.621 e o desconto de 7,50% referente à Previdência Social, o salário-mínimo líquido foi estimado em R$ 1.499,43. Nessas condições, um trabalhador de média idade comprometeu cerca de 57,44% da renda mensal apenas com gastos alimentares em junho, ante 55,83% em maio.

Para adquirir a cesta básica, foram necessárias aproximadamente 126,36 horas de trabalho, o que representa acréscimo de 3,54 horas em relação a maio (122,82), indicando nova redução do poder de compra no período.

Regiões – Em junho, o valor da cesta básica de alimentos com 13 produtos ficou acima de R$ 800 em três das cinco regiões de Ribeirão Preto. Todas registraram aumento de preços. Na Central , que ainda detém o kit mensal básico de alimentos mais caro da cidade, superou R$ 900 pela primeira vez. Atingiu R$ 916,91, elevação de 2,87% e aporte de R$ 25,56 em relação aos R$ 891,35 de maio.

Depois vem a Zona Leste com R$ 891,50, alta de 4,52% e R$ 38,57 a mais em relação aos R$ 852,93 do mês anterior. A Zona Sul vem em seguida com R$ 878,95, aumento de 1,81% e R$ 15,64 a mais em comparação com os R$ R$ 863,31 de maio.

Na Norte, custa R$ 847,38, alta de 3,21% e acréscimo de R$ 26,35 em relação aos R$ 821,03 do período anterior. O kit básico é mais barato na Zona Oeste: R$ 796,06, aumento de 3,40% e acréscimo de R$ 26,19 em comparação com os R$ 769,87 do mês antecedente

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