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Cometa carrega vapor d’água

A Agência Espacial Nor­te-Americana (Nasa) anun­ciou na segunda-feira, 15 de maio, uma nova descoberta surpreendente do Telescópio Espacial James Webb. Com o observatório foi possível iden­tificar, pela primeira vez, va­por de água em torno de um cometa, o Read (238P). “O cometa do Cinturão Principal 238P/Read tem uma cabeleira de vapor d’água”, descrevem os cientistas em artigo publicado na revista científica Nature.

A descoberta é um avan­ço científico importante, pois indica que o gelo do sistema solar pode ser preservado na­quela região. A detecção iné­dita, porém, veio junto a um novo mistério: ao contrário de outros cometas, no Read não havia dióxido de carbono (CO2) detectável.

“Nosso mundo encharca­do de água, repleto de vida e único no universo, até onde sabemos, é um mistério. Não temos certeza de como toda essa água chegou aqui”, disse Stefanie Milam, vice-cientista do projeto Webb e coautora do estudo relatando a descoberta, em nota. “Entender a história da distribuição de água no sis­tema solar nos ajudará a enten­der outros sistemas planetários e se eles podem estar a cami­nho de hospedar um planeta semelhante à Terra.”

Os cientistas há muito es­peculam que o gelo de água poderia ser preservado no cinturão de asteroides mais quente, dentro da órbita de Jú­piter, mas a prova definitiva era ilusória. “No passado, vimos objetos no Cinturão Principal com todas as características dos cometas, mas apenas com esses dados espectrais precisos do Webb podemos dizer que sim, é definitivamente água ge­lada que está criando esse efei­to”, explicou o astrônomo Mi­chael Kelley, da Universidade de Maryland, autor principal do estudo.

“Com as observações de Webb do cometa Read, pode­mos agora demonstrar que o gelo de água do início do sis­tema solar pode ser preserva­do no cinturão de asteroides”, destacou. O Cometa Read, segundo a Nasa, fica no Cintu­rão Principal, que se situa entre Marte e Júpiter. O que diferen­cia um cometa e um asteroide é que o material congelado do primeiro se vaporiza à medida que se aproximam do Sol, o que dá a eles a cauda fluida.

Conforme a Nasa, a falta de dióxido de carbono foi uma surpresa maior. Normalmente, ele compõe cerca de 10% do material volátil em um come­ta. A equipe científica levan­tou duas hipóteses para isso. Na primeira, pensam que o Read tinha dióxido de carbono quando se formou, mas o per­deu por causa das temperaturas quentes. Por outro lado, pode ter se formado em um bolsão particularmente quente do sis­tema solar, onde tem dióxido de carbono disponível.

Agora, os cientistas que­rem ver se outros cometas do Cinturão Principal se compa­ram ao Read. “Esses objetos no cinturão de asteroides são pe­quenos e fracos, e com o Webb podemos finalmente ver o que está acontecendo com eles e ti­rar algumas conclusões. Outros cometas do cinturão principal também carecem de dióxido de carbono? De qualquer forma, será emocionante descobrir”, disse a astrônoma Heidi Ham­mel, da Associação de Universi­dades para Pesquisa em Astro­nomia (AURA), em nota.

Já Milam imagina aproximar a pesquisa de casa de casa. “Ago­ra que Webb confirmou que há água preservada tão perto quan­to o cinturão de asteroides, se­ria fascinante acompanhar essa descoberta com uma missão de coleta de amostras e aprender o que mais os cometas do Cintu­rão Principal podem nos dizer.”

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