Apesar do corte de 0,25 ponto percentual, o Brasil assumiu liderança do ranking e agora tem o maior juro real do mundo, com 8,45% ao ano
Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) cortou os juros pela quinta vez seguida. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.
Os juros já caíram 1,25 ponto percentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” cautelosa da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, os preços de commodities, a própria inflação e o início do fenômeno El Niño.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros nas três reuniões anteriores, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do comitê.
O Copom esteve desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.
Juro real – Apesar do corte de 0,25 ponto percentual, o Brasil assumiu liderança do ranking e agora tem o maior juro real do mundo, formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída a inflação prevista para os próximos doze meses. Assim, segundo levantamento compilado pelo MoneYou em parceria com a Lev Intelligence., os juros reais do país ficaram em 8,45% alo ano, contra 9,33% do levantamento anterior.
Depois do Brasil aparece a Rússia (6,79%), depois a Colômbia (6,33%), Turquia (6,25%), México (3,08%), África do Sul (2,93%) e Argentina (,69%). Nova Zelância (-0,91%), Filipinas (-0,62%) e Suíça (-0,50%) têm as menores taxas entre 40 países analisados. Sem descontar a inflação, no ranking nominal, o Brasil tem a quarta maior taxa básica de juros (13,75%). O país fica atrás da Turquia, com 37%, seguida por Argentina, com 29%, e Rússia, com 14,00%.
O levantamento também mostra que, entre 164 países, 72,56% mantiveram os juros inalterados, 21,34% elevaram as taxas e 6,10% promoveram cortes. No grupo dos 40 países que compõem o ranking, 55% mantiveram os juros, 35% elevaram as taxas e 10% realizaram cortes. A média é de 1,62% ao ano
Inflação – A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o índice ficou negativo em 0,32%, o menor nível em quatro anos, beneficiado pelo bônus de Itaipu nas contas de luz. No acumulado de doze meses, o índice recuou para 4,22%, contra 4,44% em julho.
No ano, recuou de 3,44% para 3,11%. O preço dos alimentos também contribuiu para a queda da inflação em agosto, tendo recuado 0,34% no mês passado. No entanto, o início do El Niño deverá encarecer a comida nos próximos meses, representando um desafio adicional para a política monetária.

