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Defesa de Lincoln vai ao TJ contra cassação

Alfredo Risk/Arquivo
O advogado Júlio Mossin, responsável pela defesa do ex-vereador Lincoln Fernandes (PL, detalhe), entrou com mandado de segurança no TJSP


Defesa de Lincoln Fernandes, cassado pela Câmara no dia 20 de maio, impetrará segundo mandado de segurança no Tribunal de Justiça; o primeiro ainda não foi julgado

O advogado Júlio Mossin, responsável pela defesa do ex-vereador Lincoln Fernandes (PL), de 47 anos, cassado em 20 de maio pela Câmara de Ribeirão Preto por quebra do decoro parlamentar devido à suposta prática de “rachadinha” – divisão do salário pago com dinheiro público com o empregador – em seu gabinete, afirmou nesta terça-feira, 26 de maio, que entrará com mandado de segurança no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) contra a decisão unânime do Legislativo.

Além de Júlio Mossin, o pai dele, Heráclito Mossin, também atua na defesa do ex-parlamentar. Segundo o advogado, o recurso questionará pontos e ações consideradas irregulares pela defesa na sessão extraordinária que resultou na cassação do mandato de Lincoln Fernandes.

Alfredo Risk/Arquivo
O advogado Júlio Mossin, responsável pela defesa do ex-vereador Lincoln Fernandes (PL, detalhe), entrou com mandado de segurança no TJSP

Atualmente já tramita no Tribunal de Justiça outro recurso em que a defesa questiona o rito adotado no processo de cassação de Lincoln Fernandes. Os advogados recorreram à segunda instância após o juiz Reginaldo Siqueira, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto, negar o pedido da fam´[ilia Mossin.

O magistrado manteve o rito adotado pela Câmara no processo de investigação, que seguiu o decreto-lei federal nº 201/1967. A decisão foi expedida em 16 de abril em julgamento de mandado de segurança. Em fevereiro, quando recebeu as denúncias contra Lincoln Fernandes, a Câmara optou por enviá-las para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

Entretanto, dias depois, optou por seguir o decreto-lei federal. Com a decisão, o caso passou a ser investigado por uma Comissão Processante (CP) composta por três vereadores sorteados entre todos 20 parlamentares, com exceção do presidente da Câmara e do investigado. A CP era composta pelo presidente Jean Coraucci (PSD), a relatora Judeti Zilli (PT) e Sargento Lopes (PL).

No primeiro mandado, a defesa do vereador questiona o rito adotado no processo de cassação, alegando irregularidades na formação da Comissão Processante e tratamento desigual do parlamentar em relação ao dado para outros vereadores em situações semelhantes. Entre os exemplos está o caso do vereador Roger Ronan da Silva (MDB), o Bigodini, de 33 anos, que se envolveu em um acidente de trânsito na madrugada de 28 de setembro do ano passado.

O parlamentar foi investigado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar em vez de uma Comissão Processante e acabou suspenso, sem direito à remuneração mensal de R$ 20.597,25,. por 180 dias – seis meses – e retornou as atividades parlamentares no dia 11 de maio.

Na esfera criminal Bigodini foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público de São Paulo (M/SP) pelos crimes de falsidade ideológica, fraude processual e embriaguez ao volante, O julgamento do parlamentar está marcado na Justiça para o dia 29 de junho.

Durante a sessão de cassação, os advogados Júlio Mossim e Heráclito Mossim afirmaram que as acusações de prática de “rachadinha” são falsas. Segundo eles, teriam sido “tramadas pelo vereador e então presidente da Câmara, Isaac Antunes (PL)”, sócio de Lincoln Fernandes em um emissora de rádio da cidade. O liberal e agora primeiro vice-presidente do Legislativo nega

A defesa ressalta também que a suposta prática de “rachadinha” já teria sido investigada pela Polícia Civil em 2024. Na época, os então assessores negaram a prática no gabinete de Lincoln Fernandes. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) também investiga o caso.

Lincoln Fernandes se junta a outros vereadores que também foram alijados da vereança, entre eles Fernando Chiarelli, em 1995, por falta de decoro ao chamar o então colega deficiente Antônio Lorenzato de aleijado.

Élio Aparecido de Oliveira Júnior, o Oliveira Júnior, teve o mandato cassado em outubro de 2011 por improbidade administrativa, após dirigir sob efeito de álcool e desacatar autoridades policiais, além de oferecer suborno. Por fim, Pedro Augusto de Azevedo Marques foi cassado em 1964 após o golpe militar. Era filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Desde que as denúncias foram feitas, Lincoln Fernandes sempre negou, por meio de sua defesa, a prática dos delitos. Estava em seu terceiro mandato parlamentar.  Foi eleito pela primeira vez em 2016, com 3.601 votos. Em 2020, recebeu 4.643 e na mais recente eleição, em 2024, foi escolhido por 3.856 eleitores.

A cadeira será ocupada pelo segundo suplente do PL, o Camilo Calandreli. Cantor lírico, maestro, professor de história da arte e da ópera, atualmente é assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no gabinete do deputado Lucas Bove (PL). Nas eleições para vereador de 2024, teve 1.923 votos.

Originalmente, a cadeira deveria ser ocupada pelo então primeiro suplente da legenda, Hagara Espresola Ramos, o Hagarado Pão de Queijo, autor da denúncia. Em 2024, recebeu 2.066 votos. Porém, no final do ano passado deixou o partido e se filiou ao Avante, perdendo o direito a vaga porque ela pertence ao PL e não ao candidato, caso troque de legenda fora da janela eleitoral, como neste caso.

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