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Governo volta a criticar tarifaço

Luzitanija/Adobe Stock
No primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações para os EUA caíram 13,0% e atingiram US$ 17,428 bilhões

Fazenda vê impacto macroeconômico reduzido de novas tarifas americanas para economia brasileira

O chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, disse a interlocutores do governo que já levou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a recomendação final de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros.  A administração americana sinalizou com uma lista de exceções maior do que a atual.

Havia a expectativa de que o novo tarifaço fosse comunicado ao governo brasileiro na tarde desta quarta-feira, 15 de julho, mas até as 21h30 de ontem nada tinha sido divulgado sobre a notificação. Na última reunião entre os dois países, realizada na terça-feira, 14 de julho, Greer deu as negociações por encerrado e reclamou da falta de empenho por parte do Brasil.

O governo brasileiro voltou a classificar como “injusta” a possível imposição de novas tarifas pelos EUA sobre produtos nacionais durante a reunião de alto nível realizada na terça-feira com Jamieson Greer. O encontro ocorreu na véspera do prazo final para a decisão da administração do presidente Donald Trump sobre a adoção das sobretaxas.

Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que essa foi a quinta reunião entre autoridades dos dois países desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial.

No comunicado, o Mdic destacou que o governo brasileiro reiterou que as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos não têm fundamento técnico e não justificam a adoção de novas barreiras comerciais.

As críticas envolvem tanto a proposta de sobretaxa de 25% específica para produtos brasileiros quanto a tarifa adicional de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, aplicável também a outras 59 economias.

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avalia que o impacto macroeconômico esperado das novas tarifas americanas sobre a economia brasileira permanece reduzido.  “As exportações mostraram resiliência mesmo após a elevação tarifária de agosto de 2025, com recuperação gradual desde novembro. “

“Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma”, diz a pasta, em documento do Boletim Macrofiscal de julho, divulgado ontem.

A secretaria destaca que as medidas anunciadas pelos EUA em junho de 2026, ainda pendentes de aprovação, preveem exceções para diversos produtos, o que tende a manter o impacto agregado modesto. “Soma-se a isso o conjunto de ações implementadas desde o ano passado em apoio aos setores mais expostos, com foco em crédito, liquidez e diversificação de mercados, que deve auxiliar a mitigar os efeitos setoriais remanescentes”, completa a SPE.

A alíquota tende a ser fixada em 25%, atingindo aproximadamente 21% das exportações nacionais, com a expectativa de uma lista de exclusão para produtos que afetam a inflação americana. A avaliação é compartilhada entre integrantes do governo e representantes do setor privado.

Em seu relatório preliminar, em 1º de junho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sugeriu a aplicação da tarifa sobre os produtos importados brasileiros, no âmbito da investigação comercial sob a Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico – como o Pix –, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal. O USTR também recomendou uma lista de exclusões a produtos básicos do consumo americano, como aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Secex/MDIC), no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações para os EUA caíram 13,0% e atingiram US$ 17,428 bilhões. As importações caíram 12,5% e totalizaram US$ 18,950 bilhões. Dessa forma, a balança comercial brasileiro com este país apresentou déficit de US$ 1,522 bilhão no acumulado de 2026.

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