Desde 2021, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto HC já realizou 712 transplantes de fígado
O Hospital das Clínicas da faculdade e Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HC-FMRPUSP) promoveu, nesta quinta-feira, 14de maio, evento em comemoração aos 25 anos do primeiro transplante de fígado na instituição e do interior paulista, realizado em 2001. Cerca de 100 pessoas participaram do encontro, entre profissionais, pacientes e familiares.
O primeiro transplante de fígado feito na região foi sob responsabilidade do professor e cirurgião hepatologista Orlando Castro e Silva Júnior. Em 1º de maio de 2001, a cirurgia marcou a consolidação de dez anos de estudos e preparação. O paciente foi o representante comercial Edélcio Alves Pinto, de 48 anos, que esperava por um fígado devido a complicações de hepatite B. A doadora era uma mulher de 42 anos que morreu vítima de acidente vascular cerebral (AVC)
Entre os que participaram do evento está Edna da Conceição, a paciente de número 600 que recebeu fígado e rim, em 18 de setembro de 2023. “Hoje estou aqui para dizer que é maravilhoso. A gente sabe que uma família perdeu um ente querido, mas me trouxe a segunda chance de felicidade porque hoje estou com minha família, meu esposo. Tenho muita gratidão por essa família e queria poder abraçar eles e dizer tanta coisa para eles”.
Desde 2021, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto HC já realizou 712 transplantes de fígado. Neste ano, foram 13 em menos de cinco meses, além de 37 em 2021, mais 30 em 2022, outros 38 em 2023 e 44 nos dois bperíodos seguintes, 2024 e 2025, tendência de crescimento
Para o professor doutor Ajith Kumar Sankarankutty, da Divisão da Cirurgia, é importante divulgar que “o transplante aumenta a sobrevida e melhora a qualidade de vida dos pacientes com cirrose, divulgar a necessidade e importância da cultura de doação e divulgar a importância de avisar os familiares de que deseja ser doador”.
O corretor Antonio Barros Muniz, de Ribeirão Preto, passou por transplante em 2014. “Fui fazer um exame de rotina para emagrecimento e descobri que minhas taxas de fígado estavam todas alteradas. Passei por um médico gastro (gastroenterologista) e ele pediu uma bateria de exames”, diz
“Fui diagnosticado com nódulo no fígado, um hepatocarcinoma (carcinoma hepatocelular) – o câncer primário mais comum do fígado, originando-se nas células hepáticas (hepatócitos). Eu tinha filho pequeno, trabalhava e fiquei, sem chão, mas minha esposa me deu muita força.”
“Fiz cirurgia, mas não deu certo, e fui encaminhado para transplantes no HC. Fiquei onze meses na fila. Hoje tenho três filhos e curto muito minhas duas netas. Só tenho a agradecer ao Hospital das Clínicas”, finaliza.
O aposentado Antonio Henrique Di Siqueira, de Tambaú, na Região Metropolitana de Ribeirão Preto e que trabalhou vários como vendedor de máquinas agrícolas, também passou por transplantes de fígado em 2014.
“Descobri um caroço e procurei o doutor Eduardo Monteiro, aqui da cidade”, diz
“Passei por ultrasson e ressonância e fui diagnostica com câncer. Estava bno começo, nem dor eu sentia, nada, mas incomodava. Em fevereiro, fez doze anos do transplante”, diz. A jornalista aposentada Rosana Zaidan disse: “É um momento incrível, dividir com vocês aquela felicidade, da superação,do milagre, do trabalho pioneiro, importante, um exemplo no mundo.”
O professor doutor Ajith Kumar participou do primeiro transplante, em 2001. Segundo ele, “pessoas que antecederam a equipe responsável pela cirurgia jáa estavam planejando o procedimento há anos. É um trabalho complexo para muitos que precisam do transplante, que chegam debilitados e sofrendo falência hepática”, diz.

Ajith Kumardiz que sistema brasileiro de transplantes é um dos melhores do mundo. “E é publico, diz”. Ao lembrar do procedimento de 25 anos atrás, ele ressalta que a situação evoluiu muito nessas mais de duas décadas. “Principalmente no tratamento contra o vírus da hepatite C, antes um dos principais fatores que levavam ao transplante”, finaliza.
O Estado de São Paulo registrou aumento de 33,2% no número de doadores de órgãos em 2025. O total passou de 1.023, em 2024, para 1.363, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP).No mesmo período, a recusa familiar teve queda de 1,3 ponto percentual, resultado que contribui para ampliar o número de procedimentos realizados no estado.
Em números absolutos, 2025 atingiu 8.875 transplantes, o que representou 564 a mais em relação a 2024, quando o Estado registrou 8.311. São Paulo concentra a maior rede transplantadora do país e lidera a realização de transplantes no Brasil. No último ano, a Central Estadual de Transplantes registrou 5.886 de córnea, 2.031 de rim, 685 de fígado, 148 de coração, 68 de rim e pâncreas, 48 de pulmão e 15 de pâncreas.

O Brasil registrou 31 mil transplantes em 2025, um recorde histórico no país. O número representa crescimento de 21% em relação a 2022, quando foram realizados 25,6 mil transplantes, 5,4 mil a mais. O resultado reflete o avanço da logística e da organização do sistema em todo o país, com o fortalecimento de parcerias institucionais e a ampliação do acesso dos pacientes aos transplantes.
A consolidação da distribuição interestadual, coordenada pela Central Nacional de Transplantes, tem sido decisiva nesse processo. Em 2025, essa estratégia viabilizou 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas, contribuindo para atender prioridades clínicas e reduzir perdas de órgãos mais sensíveis ao tempo de isquemia

