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Justiça remarca audiência de Bigodini

Max Gallão Mesquita
Vereador Bigodini será julgado pelos crimes de embriaguez ao volante, falsidade ideológica e fraude processual: audiência será em outubro

A pedido da defesa do vereador Bigodini, audiência de instrução e julgamento passou para 19 de outubro, às 14 horas; parlamentar é réu por três crimes

O juiz Guaracy Sibille Leite, da 1ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, aceitou o pedido da defesa do vereador Roger Ronan da Silva (MDB), o Bigodini, de 34 anos, e remarcou a audiência de instrução e julgamento do parlamentar para 19 de outubro, às 14 horas. Será híbrida, com depoimentos presenciais e por vídeo.

A audiência estava marcada para a próxima segunda-feira, 14 de setembro, após ter sido cogitada para acontecer no início de outubro. Esta é a segunda vez que a audiência é remarcada. O primeiro cancelamento aconteceu em 29 de junho por causa do jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo de Futebol. 

Na ocasião, o expediente das repartições públicas foi reduzido, e a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo informou que havia passado para 5 de outubro, mas foi agendada para 14 de setembro, e agora passou para dia 19 do mês que vem. O Tribuna teve acesso ao despacho com a nova data, expedido nesta terça-feira (8).

Uma das juízas auxiliares da 1ª Vara Criminal, e que já assinou outros despachos do processo, é Carolina Moreira Gama. Não há informação sobre qual magistrado ou magistrada conduzirá a audiência de instrução e julgamento.

No total deverão ser ouvidas dez testemunhas, incluindo as de defesa e de acusação. A expectativa é de que a sentença seja anunciada no mesmo dia, porém, isso pode não ocorrer devido a prazos e recursos.

De acordo com o despacho, a audiência foi remarcada porque a defesa do parlamentar, conduzida pela advogada Maria Cláudia de Seixas, tem, na mesma data, “compromisso profissional inadiável assumido anteriormente fora do Estado de São Paulo, especificamente na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina”.

O compromisso foi assumido antes de a Justiça de Ribeirão Preto remarcar a audiência do dia 14 de setembro. Na solicitação, a defesa anexou documentos comprobatórios, como passagens aéreas compradas em 23 de junho, antes da audiência de setembro ser marcada.

Bigodini é réu pelos crimes de embriaguez ao volante, falsidade ideológica e fraude processual. A juíza Carolina Moreira Gama acatou a denúncia feita pelo promotor Paulo Cesar Souza Assef, do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

O gancho de seis meses – 180 dias – que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Ribeirão Preto impôs ao vereador Bigodin terminou em 10 de maio e ele retornou ao Legislativo no dia seguinte, uma segunda-feira (11).

Em 10 de novembro do ano passado, os vereadores aprovaram, por unanimidade, projeto de resolução determinando a suspensão do mandato do emedebista, sem a remuneração de R$ 20.597,25. Bigodini se envolveu em acidente de trânsito na madrugada de 28 de setembro do ano passado, na avenida do Café, na Zona Oeste.

A cerca de 60 quilômetros por hora, bateu em poste e derrubou um coqueiro. O processo na Câmara foi instaurado após o jornalista Rodrigo Leone da Silva impetrar pedido de cassação. 

Bigodini foi flagrado bebendo vodca, cachaça, uísque e cerveja antes de dirigir um Chevrolet Tracker a 183 km/h pelas vias da cidade, além de mentir para policiais militares. Somadas, as penas podem chegar a dez anos de prisão em caso de condenação. O casal não foi preso e acompanha o trâmite do processo em liberdade.

Segundo o delegado Gustavo André Alves, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) e responsável pelo indiciamento do vereador, as investigações reuniram diversas imagens de câmeras de segurança coletadas em diversos pontos por onde Bigodini e a namorada haviam passado naquela noite e madrugada que antecederam o acidente.

Eles foram a diversos bares e a Polícia Civil conseguiu levantar o que ele consumiu.  Os vídeos foram submetidos à perícia comprovam que Bigodini estava ao volante do Chevrolet Tracker cinza alugado. O rastreamento foi possível porque o carro que o vereador dirigia era alugado e monitorado por GPS.

O barbeiro e infuenciador pode perder o mandato legislativo e ficar inelegível por oito anos caso seja condenado. O processo na Câmara foi instaurado após o jornalista Rodrigo Leone da Silva impetrar pedido de cassação. Bigodini nega todas as acusações.

Após a repercussão do caso, Bigodini postou um vídeo postado nas redes sociais endereçado à população de Ribeirão Preto, em que dizia estar em tratamento, cuidando da saúde. O laudo apontou transtorno de estresse agudo, caracterizado por uma resposta emocional intensa a um evento traumático. Ele fiou quase um mês afastado por licença médica e chegou a ficar internado  em clínica particular.

Em 1º de dezembro, o educador físico e líder comunitário Robson Vieira, de 36 anos, assumiu a vaga de Bigodini. Era o segundo suplente do MDB, mas a primeira, a advogada Maria Eugênia Biffi (MDB), a Magê, de 36 anos, assumiu o mandato parlamentar interinamente em 24 de novembro e retornou para a Secretaria de Cultura e Turismo de Ribeirão Preto no dia seguinte.

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