| Por: Adalberto Luque |
Foi divulgado, na última semana, o laudo da perícia realizada nos materiais apreendidos nos endereços ligados ao empresário Marlon Couto Paula Júnior, acusado da morte do também empresário Nelson Francisco Carreira Filho, ocorrido em 16 de maio do ano passado.
A empresa de Marlon, foragido desde que o crime foi descoberto, também foi alvo um segundo inquérito, que investiga a comercialização de produtos sem registro ou autorização na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e possíveis crimes de falsificações de alimentos, medicamentos e suspeita de formação de quadrilha.
O laudo da perícia de materiais coletados em endereços de Marlon, além de sua fábrica, apontou a presença de Metil Benzoil Ecgonina, como é conhecida a cocaína. A perícia constatou presença da droga em dois dos frascos apreendidos, porém não estava dentro das cápsulas, mas localizado nos endereços visitados pela Polícia Civil.
Além de cocaína, o laudo confirmou a presença de Furosemida (um potente diurético usado erroneamente para emagrecer e que oferece sérios riscos à saúde), Sibutramina (medicamento para inibir apetite, usado em casos de obesidade mórbida) e dimetilbutilamina (que estimula o sistema nervoso, aumentando a energia, mas é banido por entidades esportivas).
As substâncias são proibidas ou controladas pela Anvisa. Desta forma, os envolvidos podem responder por tráfico de drogas, associação criminosa, crime contra a relação de consumo e por adulteração/falsificação de produtos destinados a fins terapêuticos.

Segredo de Justiça
O caso corre em segredo de justiça. A reportagem do Tribuna Ribeirão apurou que uma audiência de custódia foi realizada entre 24 e 27 de novembro do ano passado, no Fórum de Justiça de Cravinhos. O juiz responsável foi Rodrigo Brandão Sé. Mas não foi informado o que ficou decidido, já que cada um dos indiciados pode responder por um crime.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), as alegações finais já foram apresentadas e o caso está concluso para o juiz determinar se vai ou não a júri. “ Diante disso, eles também devem ser indiciados, segundo o delegado , por tráfico de drogas, associação criminosa, crime contra a relação de consumo e adulteração/falsificação de produtos destinados para fins terapêuticos ou medicinais. Com relação a isto, já está sendo apurado em apartado pela Delegacia de Polícia”, informou o MP
O advogado de Marlon não foi localizado. As defesas dos demais envolvidos não se manifestaram neste momento, por ainda não terem acesso aos autos.
Entenda o caso
O empresário Nelson Francisco Carreira Filho, de 44 anos, desapareceu em 16 de maio após ir de São Paulo a Cravinhos para uma reunião de negócios com Marlon Couto Paula Júnior. Segundo familiares, ele costumava viajar semanalmente à cidade para encontros relacionados à venda de suplementos alimentares. Marlon afirmou inicialmente que Nelson deixou o local às pressas após receber uma ligação da esposa.
O carro da vítima foi registrado em pedágios e por um radar na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, na Zona Norte da Capital, onde acabou abandonado, sem sinais de violência. Dias depois, Tadeu Almeida Silva, diretor-executivo das empresas de Marlon, admitiu ter ouvido o disparo e visto Nelson morto. Ele disse que, por ordem de Marlon, ajudou a enrolar o corpo em uma lona, limpar o local e levar o carro da vítima até São Paulo.

Em carta entregue à polícia, Marlon confessou ter matado Nelson após uma discussão ligada a desavenças comerciais, alegando legítima defesa. Segundo o relato, o corpo teria sido jogado no Rio Grande, em Miguelópolis, onde ele mantinha um rancho. As buscas se estenderam por vários dias, mas os restos mortais não foram encontrados.
Marlon passou a responder por homicídio qualificado por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, ocultação de cadáver, fraude processual e falsidade ideológica. Tadeu foi denunciado por participação direta no assassinato, ocultação de cadáver e fraude processual.
O eletricista Felippe Miranda, de 31 anos, foi indiciado por ocultação de cadáver e fraude processual após admitir que transportou o corpo até Miguelópolis, embora tenha afirmado desconhecer o crime. Murilo Couto Paula, irmão de Marlon, passou a responder por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Segundo a investigação, ele dirigiu o carro usado no crime e contratou uma dedetização na empresa do irmão para esvaziar o prédio no dia do desaparecimento.
Marcela Silva de Almeida, esposa de Marlon, foi indiciada por fraude processual após acompanhar o marido até São Paulo e depois visitar a família da vítima. Ela se apresentou posteriormente, negou conhecimento do crime, obteve habeas corpus e respondeu em liberdade.
Os pais de Marlon, Couto e Lilian Paula, foram indiciados por favorecimento pessoal. Já Carlos Eduardo Silva Cunha, funcionário da empresa, foi indiciado por falso testemunho. Marlon permaneceu foragido e teve o nome incluído no Banco Nacional de Procurados.

