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Masp ganha passagem subterrânea com obra imersiva

“Pietrolina”, de Beatriz Milhazes, reúne pintura e elementos reflexivos na passagem subterrânea que conecta os dois edifícios do Masp | Créditos: Eduardo Ortega/Divulgação/Masp

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) abriu ao público, em 11 de setembro, a passagem subterrânea que conecta os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, na Avenida Paulista. O percurso abriga “Pietrolina”, obra imersiva criada por Beatriz Milhazes especialmente para o espaço.

A passagem tem 50 metros de comprimento, cinco metros de largura e 2,5 metros de altura. A intervenção artística, porém, soma 98 metros ao ocupar os dois lados do percurso: são 60 metros lineares de pintura, paralelos a elementos reflexivos instalados ao longo de uma parede de 38 metros.

Com curadoria de Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro, “Pietrolina” recebeu esse nome pela união das referências a Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi, casal fundador do Masp e homenageado nos nomes dos dois edifícios do museu.

Cores, arabescos, listras e formas orgânicas acompanham o visitante durante o percurso pela nova passagem do museu | Créditos: Eduardo Ortega/Divulgação/Masp

Segundo o Masp, a intervenção é o maior trabalho já realizado por Beatriz Milhazes. Arabescos, listras, formas orgânicas, flores, estruturas geométricas e superfícies reflexivas acompanham o visitante durante a travessia.

A composição foi concebida a partir do ritmo visual dos desfiles de Carnaval. Ao longo do percurso, as mudanças de cores, símbolos e formas remetem à sucessão de alas e elementos que integram uma apresentação carnavalesca.

O projeto começou com um desenho e passou por um estudo cromático que resultou em uma paleta de 33 tintas acrílicas. A elaboração levou mais de dois anos, enquanto a execução da pintura dentro da passagem durou aproximadamente três meses.

Elementos reflexivos ampliam as formas e as cores da intervenção criada especialmente para o espaço subterrâneo | Créditos: Eduardo Ortega/Divulgação/Masp

A obra também dialoga com “Avenida Paulista”, trabalho produzido por Milhazes em 2020 e posteriormente doado ao acervo do museu. Naquele ano, o Masp realizou uma retrospectiva da artista com mais de 170 obras.

Uma das cores utilizadas no teto e em uma das paredes ficou conhecida internamente como “Azul Beatriz”. “Essa presença marcante fez com que a cor passasse a ser chamada internamente de ‘Azul Beatriz’”, afirma a curadora Amanda Carneiro.

Integração do complexo

A passagem permite que o público circule entre o prédio histórico projetado por Lina Bo Bardi e o Edifício Pietro Maria Bardi, inaugurado em março de 2025, sem precisar retornar à calçada da Avenida Paulista. O deslocamento entre os espaços passa a integrar a própria experiência artística proporcionada pelo museu.

A composição de “Pietrolina” foi inspirada no ritmo visual e na sucessão de elementos dos desfiles de Carnaval | Créditos: Eduardo Ortega/Divulgação/Masp

Além da circulação dos visitantes, a estrutura facilita o transporte de obras de arte, equipamentos e equipes técnicas. Um único ingresso permite visitar os dois edifícios, a passagem e as exposições em cartaz naquele dia.

Segundo o Masp, essa é a primeira conexão subterrânea dessa escala construída por um museu na América Latina. Desenvolvido desde 2019, o projeto teve as obras iniciadas em 2023 e exigiu estudos e autorizações de diferentes órgãos públicos por causa de sua localização. O projeto arquitetônico foi liderado pelo escritório METRO Arquitetos Associados.

Trajetória da artista

Nascida no Rio de Janeiro, em 1960, Beatriz Milhazes é pintora, gravadora e ilustradora. Sua produção é reconhecida pelo uso intenso das cores e pela combinação de estruturas geométricas, arabescos, formas florais e motivos ornamentais.

Passagem de 50 metros permite a circulação interna entre os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi | Créditos: Eduardo Ortega/Divulgação/Masp

Com projeção internacional, a artista possui trabalhos nos acervos do MoMA, em Nova York, da Tate Modern, em Londres, do Centro Pompidou, em Paris, e do Museu Reina Sofía, em Madri. No Brasil, suas obras integram coleções do Masp, da Pinacoteca de São Paulo e do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Serviço

Masp, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Endereço: Avenida Paulista, 1.578, Bela Vista, São Paulo

Domingos: das 10h às 18h, com entrada até as 17h

Ingressos: R$ 85 e R$ 42, meia-entrada

Agendamento: obrigatório pelo site masp.org.br/ingressos

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