André Lucirton Costa *
O Centro de Ribeirão Preto precisa ser fácil de alcançar. O tempo gasto no deslocamento no Centro e Boulevard influencia a decisão de ir ou de escolher outro lugar para comprar ou passear. Mobilidade não é apenas uma questão de trânsito: é parte da experiência oferecida pelo comércio e um elemento de sua estratégia de marketing.
Nos últimos anos, a região recebeu intervenções importantes. O programa Ribeirão Mobilidade implantou corredores e faixas para o transporte coletivo. A Avenida Nove de Julho também passou por obras de revitalização e implantação de corredor de ônibus, com longa demora para a conclusão. São mudanças estruturais que reorganizam o espaço viário e precisam ser avaliadas pelo resultado para a capacidade do Centro de atrair pessoas.
Há necessidade de definir dois conceitos: na faixa exclusiva, a circulação é reservada aos ônibus e na faixa preferencial, outros veículos podem circular, mas o transporte coletivo tem prioridade. A primeira protege a regularidade e a velocidade dos ônibus; a segunda compartilha a via sem retirar essa prioridade. Ambas podem melhorar a velocidade média de deslocamento do sistema, desde que regras, sinalização, fiscalização e pontos de parada funcionem de forma coerente.
O mesmo princípio vale às paradas: uma estrutura de estacionamentos públicos, concessionados ou privados deve ser pensada e criada para o tempo de circulação. Trechos centrais voltaram a receber estacionamento rotativo, tomando espaço da circulação de veículos e, em muitas ruas e avenidas, há apenas uma faixa para a circulação de carros, ônibus, táxis e aplicativos, entregas, motos, caminhões, bicicletas e outros. As mudanças, que criaram vagas de estacionamento, retiraram faixas de rodagem e reforçaram a percepção de que chegar ao Centro ficou mais demorado. O meio-fio é um espaço limitado: não pode servir ao mesmo tempo, sem ordenamento, para estacionar, embarcar passageiros, receber mercadorias e manter livre a circulação.
Quem tenta chegar ao Centro conhece a sensação de avançar em fila indiana: um veículo que para fora do lugar pode interromper a passagem de todos os que vêm atrás. O embarque e o desembarque de passageiros de ônibus devem ocorrer nos pontos próprios e sem atrapalhar o fluxo de outros meios de transporte. Já carros de aplicativo e táxis precisam de locais breves e seguros para deixar ou buscar passageiros; entregas precisam de áreas de carga e descarga. Quando essas atividades disputam a faixa de rolamento, surgem bloqueios, filas duplas e atrasos que afetam também o sistema de mobilidade. Um motorista de aplicativo disse que chega a recusar corridas para partes do Centro e em horários específicos devido ao tempo no trânsito.
A resposta está no ordenamento: manter a prioridade do ônibus; definir pontos de parada rápida para táxis e aplicativos; reservar áreas de carga e descarga, com horários quando necessário; orientar o estacionamento em estruturas públicas e privadas (alvará e concessão); melhorar a sinalização e fiscalizar as paradas irregulares. O planejamento deve observar tempos de viagem, velocidades dos modais, ocupação das vagas, paradas em fila dupla e condições de circulação a pé. Planejar com dados para corrigir o que não funciona sem tratar impressões isoladas como prova.
Também é hora de pensar um plano de marketing para o Centro, construído com comerciantes, usuários, sociedade civile poder público. Divulgar atrações, serviços, eventos e opções de acesso só terá efeito duradouro se a visita for previsível e conveniente. Mobilidade é parte da promessa feita ao público: chegar, encontrar o destino, fazer compras e circular com segurança. Um Centro vivo depende de boas atividades e de um caminho que permita aproveitá-las.
* Membro do Conselho Municipal de Mobilidade (COMOB) e professor da FEARP/USP

