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MPE move ação para barrar obras

O promotor do Patrimônio Público, Ramon Lopes Neto, entrou com uma ação civil pública no Fórum Estadual de Justiça de Ribeirão Preto para evitar que a Santa Casa de Misericórdia promova obras no Edifício Diederichsen, no Quarteirão Paulista, Centro Histórico de Ribeirão Preto. A ação do Ministério Público Estadual (MPE) foi impetrada nesta quarta-feira, 4 de abril.

Segundo o promotor, apesar de ter despejado vários inquilinos no ano passado, a Santa Casa ain­da não apresentou os projetos ao Conselho de Defesa do Patrimô­nio Histórico, Arqueológico, Ar­tístico e Turístico (Condephaat). A instituição de saúde informa que ainda não foi notificada, mas garante que não promoverá ne­nhuma intervenção sem autori­zação do órgão ligado à Secretaria de Estado da Cultura.

Moradores, comerciantes e prestadores de serviços do Edi­fício Diederichsen, no Centro de Ribeirão Preto, desocuparam o local no ano passado. A Santa Casa de Misericórdia, proprietá­ria do imóvel, já havia anuncia­do, em 2016, um cronograma de obras de reforma e restaura­ção e a provável transformação do espaço em centro cultural.

A maioria dos inquilinos já havia deixado o prédio, o primei­ro da cidade, o segundo do inte­rior e, segundo historiadores, o primeiro multiuso do Estado de São Paulo – por reunir, no mesmo espaço, salas para comércio, servi­ços, habitação e hotelaria, além de “emprestar” o telhado para o Gru­po de Teatro Engasga Gato. A Santa Casa, que herdou o imóvel do empresário visionário Antô­nio Diederichsen (1875-1955), disse ao Tribuna, em junho do ano passado, quando a desocu­pação estava acima de 60%, que precisa reformar o Edifício Die­derichsen por se tratar de uma obra histórica e tombada como patrimônio público.

O comunicado ainda afirma­va que já existiam planos de iniciar as reformas havia um ano e que por esse motivo estava requisitan­do que as pessoas desocupassem o edifício a partir do primeiro andar. Disse, também que alguns pro­jetos já estavam em andamento, dentre os quais ,a transformação do espaço em centro cultural, mas ainda sem definição.

Tombado pela Unidade de Preservação do Patrimônio His­tórico do Condephaat em no­vembro de 2009, e também pelo Conselho de Preservação do Pa­trimônio Artístico e Cultural de Ribeirão Preto (Conppac), em 2010, o Edifício Diederichsen co­meçou a ser construído em 1934 e foi inaugurado dois anos depois, em 20 de dezembro de 1936 – vai completar 82 anos. É considerado um símbolo do modernismo na cidade, pelo seu estilo “art déco”.

No primeiro e no segundo an­dares existem 118 salas comerciais e no terceiro e no quarto andares há 64 apartamentos. Ao todo são quatro mil metros quadrados de área construída. Até mesmo o hotel, que fica no quinto andar do prédio, deveria deixar o local. A ordem para que os responsáveis pela hospedaria deixem o espaço, entretanto, havia sido prorrogada até dezembro.

O Diederichsen foi o primei­ro arranha-céu da cidade. Com seis pavimentos além do térreo, desde seu início teve uso misto, abrigando lojas, serviços, cine­ma, hotel, a cafeteria Única e o famoso Bar Pinguin. Tem uma das fachadas voltada para a Pra­ça XV de Novembro, espaço pú­blico ligado à origem da cidade, no qual localiza-se o Quarteirão Paulista – conjunto harmônico de prédios em que estão instala­dos o Theatro Pedro II, o Edificío Meira Júnior e o Centro Cultural Palace, todos preservados.

No térreo, durante várias dé­cadas, esteve em funcionamento o Cine São Paulo, que tinha ca­pacidade para 1,2 mil pessoas. A Santa Casa diz que o processo de reforma e restauro será gradual e está estimado em R$ 10 milhões. A entidade conta com a Lei Rou­anet para captar recursos junto à iniciativa privada. A recuperação do prédio já foi discutida com os promotores da Habitação e do Patrimônio Público do MPE, mas como os projetos não foram apre­sentados, segundo Ramon Lopes Neto, a ação foi impetrada.

Na nota enviada ao Tribuna, a Santa Casa dizia que “já iniciou projeto para esta finalidade. A pre­visão de custos desta restauração é elevadíssima, sendo também necessária a contribuição de pa­trocinadores. Existem em anda­mento alguns projetos atinentes à destinação do edifício, sendo um deles, a transformação em centro cultural, visando atrair, dentre ou­tras possibilidades, a contribuição de empresários por meio de leis de incentivos fiscais”.

E finalizava informando que “este projeto tem provocado algu­ma insatisfação, especialmente de alguns locatários, mas ainda não há definição quanto a destinação, ainda que haja forte tendência para a criação de um espaço cul­tural. De qualquer forma, as obras que reclamam urgência, serão ini­ciadas após a integral desocupação dos locatários.”

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