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Novos cardápios para estudantes municipais

CCS

A alimentação escolar é considerada a mais antiga po­lítica pública de alimentação e nutrição ainda vigente no Brasil. Foi institucionalizada enquanto programa público em 1955 e é uma ferramenta fundamental para o combate à fome, a garantia do direito humano à alimentação e nu­trição adequadas e o alcance da segurança alimentar e nu­tricional, por meio do Pro­grama Nacional de Alimen­tação Escolar (PNAE).

Nesse sentido, a nova Re­solução nº 6, de 8 de maio de 2020 do Conselho Deliberati­vo do Fundo Nacional de De­senvolvimento da Educação (CD/FNDE), trouxe mudan­ças que impactarão na saúde de todos os estudantes do Brasil, uma vez que associa o consumo elevado de alimen­tos ultra processados à obesi­dade e doenças crônicas.

Para se adequar à resolu­ção e oferecer alimentação cada vez mais saudável para os cerca de 47 mil estudan­tes da educação infantil e do ensino fundamental, Ribei­rão Preto está implementan­do novos cardápios na rede. A Secretaria Municipal da Educação administra 31 es­colas de ensino fundamental (Emef) com 23.296 estudan­tes e 105 de educação infan­til – 26 escolas parceiras ou conveniadas, 36 Centros de Educação Infantil (CEIs) e 43 Escolas Municipais de Edu­cação Infantil (Emeis) com 22.848 crianças.

Tem ainda o Centro de Educação Especial Egydio Pe­dreschi e a Escola Municipal de Ensino Profissional Básico (EMEPB) Doutor Celso Cha­ruri – eram 958 matriculados no total – e mais 807 estudan­tes do programa Educação para Jovens e Adultos (EJA). Eram 138 unidades escolares e 47.909 estudantes matricula­dos até o final do ano passado.

Semanalmente o cardápio sofre alterações que são dis­ponibilizadas no site da Se­cretaria de Educação. Entre as principais ações propostas pela resolução está a retirada total do açúcar e de biscoitos industrializados, a adequação da frequência de pães, biscoi­tos e bolo, inserindo alimentos in natura (ovo) e preparações permitidas; substituição da margarina por manteiga, reti­rada da maionese (item proibi­do), a substituição do chocola­te em pó 43% (item proibido) por cacau 100% e a inclusão de novas receitas – bolo sem açú­car, bolinha de batata, quibe de aveia ao forno, entre outros.

De acordo com Paula Fer­nanda Arroyo, chefe da Di­visão de Nutrição Escolar da Secretaria Municipal de Edu­cação de Ribeirão Preto, a Or­ganização Mundial da Saúde (OMS) estima que nos próxi­mos anos haverá mais crianças e adolescentes com obesidade do que com desnutrição.

“A nova resolução é es­sencial e devemos cumpri-la. Uma das principais mudan­ças, destaca-se a proibição da oferta do açúcar e alimen­tos ultraprocessados para as crianças até 3 anos de idade. Bem como, a ampliação do rol de alimentos restritos. Por isso é importante à conscien­tização da inserção de novos hábitos”, explica Arroyo.

Ainda de acordo com Paula, “as mudanças, real­mente, são impactantes, mas de suma importância para a saúde das crianças”. “Nosso trabalho é orientar e capaci­tar as cozinheiras para a pro­dução dos cardápios ofereci­dos”, completa.

Dados
A obesidade em crianças e adolescentes é multifatorial. Condições genéticas, indi­viduais, comportamentais e ambientais podem influen­ciar no estado nutricional. O relatório público do Sistema Nacional de Vigilância Ali­mentar e Nutricional, com dados de pessoas acompa­nhadas na Atenção Primária à Saúde, aponta que, até me­ados de setembro de 2022, mais de 340 mil crianças de 5 a 10 anos de idade foram diagnosticadas com obesida­de. Em 2021, a APS diagnos­ticou obesidade em 356 mil crianças dessa mesma idade.

Em 2022, o Departamento de Alimentação Escolar, Lo­gística e Materiais, ligado à Se­cretaria da Educação, realizou uma pesquisa com 5.298 alu­nos da Rede Municipal, destes, 1.986 apresentavam excesso de peso – sobrepeso ou obesidade.

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