Conceição Lima *
“Rir é o melhor remédio… Será?”
Cena 1 – O Quartel Digital
(Um telão mostra gráficos e números. Soldados aguardam ordens. Entra o General Algoritmo… uma voz metálica ecoa.)
General Algoritmo: “Soldados, avancem 3,7 metros à esquerda. Probabilidade de sucesso: 82%.”
Soldado 1 (olhando ao redor): “Mas, senhor… ali tem um muro!”
General Algoritmo:“Erro de cálculo. Recalibrando… avancem 2,1 metros à direita. Probabilidade de sucesso: 79%.”
Soldado 2 (sussurrando):“Esse general parece GPS quebrado.”
Cena 2 – O Campo de Batalha
(Os soldados tentam seguir as ordens, trombam uns nos outros. O General continua implacável.)
General Algoritmo: “Atacar inimigo identificado: sombra suspeita atrás da árvore.”
Soldado 3: “Mas é um cachorro dormindo!”
General Algoritmo:“Cachorro classificado como alvo potencial. Probabilidade de ameaça: 12%.”
Soldado 1 (irônico): “Ótimo, vamos declarar guerra aos vira-latas.”
Cena 3 – O Desfecho
(Os soldados se sentam, exaustos. O General continua dando ordens sem parar.)
General Algoritmo: “Iniciar ofensiva cibernética. Hackear geladeiras inimigas.
Soldado 2 (rindo): “Pronto, agora a guerra é contra eletrodomésticos.”
Soldado 3: “No fim, a IA não vai vencer ninguém… só transformar a guerra em comédia.”
(Todos riem, enquanto o General continua repetindo ordens absurdas. Luzes se apagam.)
Independentemente do “absurdo” acima, quando “a IA vai à guerra”, a diferença é imensa e não apenas tecnológica, mas filosófica e ética. Tecnicamente falando, há que se levar em conta a sua velocidade e precisão, a automação da violência e a desumanização desenfreada. Sistemas de IA podem analisar dados em tempo real, prever movimentos, identificar alvos com uma rapidez infinitamente maior do que qualquer humano.A guerra deixa de depender apenas dos soldados e passa a ser conduzida por algoritmos, drones e sistemas autônomos.Decisões de vida e morte podem ser tomadas sem emoção, sem hesitação, apenas pelo critério do cálculo.
Quem é o culpado quando uma máquina decide? O programador, o comandante, ou o próprio algoritmo?A guerra sempre foi brutal, mas ao menos era “humana”. Com IA, o risco é transformar o conflito em um jogo matemático, onde vidas viram variáveis.A Inteligência Artificial pode ser “mais racional” que os generais, mas é praticamente cega aos valoreshumanos.E a questão toda poderia até ser cômica, se não fosse tão trágica! Aliás, com a IA, a guerra já virou mesmo uma tragicomédia: máquinas lutando entre si enquanto os humanos assistem, sem saber se são protagonistas ou figurantes.
Em termos históricos, assim como a pólvora e a bomba atômica mudaram a guerra, a IA muda não só a arma, mas o próprio conceito de combate. Agora, é uma questão de escala: a luta deixa o espaço terrestre e vai ao ciberespaço. Deixou de ser apenas física para ser essencialmente digital, invisível, travada em redes e códigos. E essa guerra já está em curso em 2026, no atual conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã, marcada pelo uso inédito e massivo da Inteligência Artificial, empregada para planejar ataques, selecionar alvos e acelerar operações militares em uma escala nunca vista.
Por exemplo, li que os EUA e Israel utilizaram IA para coordenar quase 900 ataques em apenas 12 horas, algo que antes levaria dias de preparação.IA é usada para prever movimentos inimigos, otimizar rotas de drones e coordenar ataques simultâneos.Todavia, há a preocupação de que humanos estejam perdendo o controle a respeito de decisões críticas sobre a vida humana, com máquinas definindo quem e onde atacar, quem deve viver ou morrer. Isto pode gerar erros catastróficos e uma perda de controle ético sobre os conflitos, visto que a velocidade e precisão dos ataques tornam o conflito mais difícil de prever e controlar. E os efeitos econômicos dessa guerra “estelar” já incendiaram o mundo inteiro.Aí é que entra a questão fundamental: até que ponto devemos permitir que máquinas decidam sobre vidas humanas? A propósito, e a ONU… onde anda?
A ONU anda, mas às vezes parece andar em círculos. Oficialmente, ela está lá, em Nova Iorque, em Genebra, em missões espalhadas pelo mundo inteiro, tentando mediar conflitos. A ironia é que… aprova resoluções que ninguém cumpre! E assim segue a ONU, como um personagem tragicômico, sempre presente, sempre falando, mas raramente escutada. Nesse contexto bufão, convém até concluir também com humor:
“Voltemos ao (quase) mesmo cenário do começo…”
— “Senhores, a ONU decidiu que não pode haver guerra.”
— “Ótimo, mas já começamos a guerra ontem”.
— “Então, por favor, parem imediatamente.”
— “Claro, só depois que terminarmos este bombardeio.”
* Doutora em Letras, com pós-doutorado em Linguística, escritora, conferencista e palestrante, membro eleito da Academia Ribeirãopretana de Letras e da Academia membro fundador da Academia Feminina Sul-Mineira de Letras

