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O poder político pertence ao povo!

Foto: Arquivo

José Eugenio Kaça *
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O regime republicano-democrático estabelece que o poder político pertence ao povo, que elege seus representantes por um período determinado. No Brasil o povo vai as urnas a cada dois anos para eleger seus representantes, e com isso esperava-se que a cada nova eleição a qualidade dos representantes melhoraria, ledo engano. O ambiente político sempre foi um ambiente de poder, e como o poder é exercido pelos donos do capital, dizer que o poder emana do povo é a maneira sutil de enganar este povo. A divisão do poder político foi consolidada em 1748 pelo francês Montesquieu. Executivo, Legislativo e Judiciário são poderes da República que devem ser independentes e harmônicos, e essa independência e harmonia tem que beneficiar o povo, no entanto não é o que acontece.

O que estamos vivendo no Brasil atualmente é o reflexo de séculos de desmandos, onde o povo sofre e tem que dizer amem. A promiscuidade coloca os três poderes no lamaçal. Estamos vivendo um dos anos mais importantes da nossa história, onde o processo eleitoral vai determinar o futuro do povo brasileiro, pois é hora de decidir se continuaremos estagnados, sendo fornecedor de insumos básicos, ou vamos lutar para atingir as fronteiras tecnológicas. Entretanto, o processo eleitoral foi totalmente contaminado pela atuação do poder Legislativo e do poder Judiciário, e com isso os problemas cruciais da população brasileira, não estão sendo discutidos nas campanhas eleitorais, o que estamos vendo é uma luta insana pelo poder.

O processo eleitoral brasileiro, com as urnas eletrônicas é um dos mais seguros do mando, e ainda temos a justiça eleitoral que determina a equanimidade entre candidaturas, como determina o caput do artigo 5º da nossa Carta Magna: todos são iguais perante a lei. Há uma máxima que diz: “quanto pior melhor”, e essa máxima vem sendo usada pelos radicais de direita para desestabilizar o País, e abrir o caminho para um Estado teocrático. Corroeram tanto os alicerces do poder, que o poder está colapsando, e com isso a população fica a ver navios. A corrosão chegou a um nível perigoso. O Congresso Nacional está contaminado pelo extremismo e religioso e trabalha para prejudicar o povo, e isso se reproduz nos legislativos estaduais e municipais. A Suprema Corte, que deveria zelar pela preservação da Constituição foi politizada e a atitude de alguns ministros joga Corte no abismo.

Sempre ouve corrupção nos poderes do Brasil, entretanto, a coisa era mais discreta, agora ficou escancarada, pois os eleitores não estão mais preocupados com as atitudes do candidato – é um fenômeno novo. Quando o ex-presidente indicou dois ministros para a Suprema Corte, afirmando que o primeiro estava totalmente alinhado com as suas pautas, e o outro que era terrivelmente evangélico, sabia o que estava fazendo, pois as qualidades jurídicas para ser ministro do STF não importavam. Esse alinhamento jogou a corte aos leões em um ano eleitoral. Os dois escolhidos estão comandando o Superior Tribunal Eleitoral, em um ano de definição para os rumos do Brasil, e estão cumprindo o combinado. As denúncias contra herdeiros do ex-presidente demoram para serem respondidas, e quando respondem dizem que não há crime, é apenas liberdade de expressão, mas quando é do outro lado, a ação é rápida, encontram o crime e estabelecem a punição – é uma dupla afinada contra os adversários do herdeiro do “mito”.

São vendilhões da Pátria, afinados com o Império do Norte. A liturgia da corte tem que ser respeitada, se algum ministro cometeu um crime, que pague dentro das regras estabelecidas, mas não se pode cometer ilegalidades como aconteceu na operação Lava-jato, em que um juiz alinhado com a Cia, destruiu empresas brasileiras e condenou sem provas um ex-presidente da República na época. Acontece que o terrivelmente evangélico joga para livrar o filho do “mito” das ligações perigosas com o ex-banqueiro criminoso. E para tentar anular as investigações comete ilegalidades e destrói a credibilidade do STF.

O futuro do Brasil está nas mãos dos eleitores – escolher um candidato que quer fazer a transição de governo nos EUA, fazendo as vontades do “Laranjão’, ou escolher o candidato que luta pela autonomia e independência do povo brasileiro. Tudo depende de nós!

* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

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