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O sofisma frauda o eleitor!

Foto: Arquivo

José Eugenio Kaça *
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O sofisma é a arte da retórica e da persuasão de convencer em detrimento da verdade absoluta. No Brasil o sofisma é a principal ferramenta da classe política, e essa ferramenta é usada com uma habilidade extraordinária, que na maioria das vezes beira a criminalidade.

Os políticos sempre usaram o sofisma para transformar mentiras homéricas em verdades absolutas, e o eleitor em busca da solução para os seus problemas acaba elegendo políticos que vão trabalhar contra a população. A persuasão típica do sofismo se transformou em mentira escancarada, e ameaça a democracia. Dourar a pílula não é mais suficiente – é muito suave, agora a mentira já vem acompanhada da violência física e psicológica, que aos poucos vão ficando fora de controle.

Há afirmações de que a qualidade os parlamentos estão piorando, que já não se tem mais aquela qualidade dos parlamentares de outrora, que os discursos de agora, não têm qualidade semântica e são carregados de violência e desrespeito aos seus pares e ao público. Porém, os discursos do passado que eram rebuscados e com uma certa sofisticação, escondiam a violência real que sempre esteve presente.

Em 1963, o senador Arnon de Mello (pai do ex-presidente Fernando Collor de Mello), durante uma sessão do Senado Nacional, trocou tiros com o senador Silvestre Péricles de Gois Monteiro, que era militar e ex-delegado, e na troca de tiros o senador Arnon acertou o suplente de senador José kairala, que morreu horas depois, mas como acontecia no Brasil daquela época, os poderosos não eram punidos, mesmo sendo preso em flagrante, foi absolvido pelo Tribunal do Juri, por unanimidade em 1964. Isso sem falar do deputado Tenório Cavalcante, que andava armado com uma metralhadora durante as sessões da Câmara dos deputados, que que certa vez fez disparos dentro do recinto para mostrar seu poder.

No passado a extrema direita não mostrava sua cara explicitamente – terceirizava. Agora sem nenhum discernimento escancaram suas posições contra o povo e contra a constituição. O parágrafo único do artigo primeiro da nossa carta magna estabelece: “o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos desta Constituição”.

Acontece que este parágrafo único foi jogado no lixo, e a velha política do coronelismo voltou com força. Dividir para dominar, e contaminar o ambiente político é o lema dos extremistas de direita.O ar despoluído que respiramos brevemente após o fim da ditadura cívico-militar, proporcionou que houvesse momentos em que os debates na constituinte produzissem melhorias para o povo, e apesar das divergências houve progresso, pois os adversários eram oponentes, e não inimigos.  Mas o velho coronelismo aos poucos foi agindo como cupins no interior da madeira, e tentam desmontar o Estado de direito.

Aquele ar progressista que tomou conta do País após a Promulgação da constituição cidadã, e que produziu seus efeitos no Congresso Nacional, nas assembleis estaduais e nas câmaras municipais foi sendo apagado pela poluição que tomou conta das mentes escancarando o mal caratismo e o lado desumano.

No passado para se eleger a qualquer cargo político, usava-se a figura do bom moço, que respeitava as leis e não se metia em confissão, entretanto, nos dias os discursos quanto mais sectário e violento ganham votos, o sofisma que procurava dourar a pílula não é mais necessário, quanto mais violento é o discurso melhor, principalmente dos candidatos ao Parlamento.

A população fala que teme a violência urbana, entretanto, vota em candidato que prolifera a violência e o ódio como solução. “O futuro é ancestral, precisamos aprender a pisar na terra como os povos originários – reaprender a sonhar”.

* Pedagogo, líder comunitário e ex-conselheiro da Educação

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