Tribuna Ribeirão
DestaqueGeral

OAB tenta evitar saída de ranchos

ALFREDO RISK/ARQUIVO

A 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado de São Paulo, a OAB de Ribeirão Preto (OAB-RP), so­licitou à Justiça de Jardinópolis que suspenda a desocupação e a demolição de ranchos lo­calizados às margens do Rio Pardo, na cidade e em Sertão­zinho, ambos municípios da região metropolitana.

O ofício foi encaminhado na quarta-feira, 14 de junho, para a juíza Mariana Tonoli Angeli, da 1ª Vara Cível de Jardinópo­lis. É assinado pelo presidente da OAB de Ribeirão Preto, Ale­xandre Meneghin Nuti, e pelo vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Douglas Campos Marques.

No documento, a OAB afirma que o agravo de instru­mento impetrado pelos ran­cheiros no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) recebeu parecer favorável do desem­bargador relator Miguel Petro­ni Neto, no começo de junho, e não estaria sendo respeitado. O magistrado determinou que a demolição e a desocupação dos imóveis habitados sejam suspensas “até o julgamento definitivo do presente recurso”.

“Ocorre que a decisão judi­cial no agravo de instrumento não foi cumprida, uma vez que a desocupação está acontecen­do neste momento. Ainda em plena consonância com os fa­tos alegados no referido agra­vo de instrumento, o prefeito de Jardinópolis protocolou nos autos do cumprimento de sen­tença um ofício especial”, cita a OAB no documento.

Segundo a 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado de São Paulo, o ofício especial também pede a suspensão da desocupação dos imóveis, “tendo em vista a existência de dois processos administrativos do programa de reurbanização na cidade de Jardinópolis”.

Argumentam ainda que está havendo impedimen­to do trânsito de pessoas nos imóveis localizados nas áreas próximas aos ranchos no Rio Pardo, impedimento do di­reito à alimentação e vedando até mesmo entrada de comida para a famílias que estão em suas propriedades.

A OAB afirma que os ad­vogados dos moradores estão sendo barrados e não podem entrar nos imóveis, ter contato com clientes e nem acompa­nhar as diligências realizadas nos ranchos. “Primeiramente, é necessário que seja possibilitado o acesso da advocacia no local, constituindo a defesa técnica, direito humano fundamental, garantidor do efetivo exercício da cidadania”, cita a OAB.

“O impedimento deste direi­to fere diretamente a dignidade destas pessoas, principalmen­te pelo acesso às informações constantes nos autos do proces­so que são de extremo interesse destes moradores”, afirma a Or­dem dos Advogados do Brasil de Ribeirão Preto.

E conclui solicitando que a juíza de Jardinópolis analise e acate o ofício especial da pre­feitura de Jardinópolis, “deter­minando assim a suspensão imediata da desocupação e demolição dos imóveis citados nos autos, requerendo-se, ain­da, o acesso dos advogados aos imóveis localizados nos autos.”

Até o fechamento desta re­portagem a Justiça de Jardinó­polis não havia se manifestado sobre o pedido. No dia 7 de junho, a juíza Mariana Tonoli Angeli determinou que as pre­feituras de Sertãozinho e Jar­dinópolis anexem ao processo de desocupação dos ranchos os estudos sociais feitos sobre a situação dos rancheiros.

A Justiça quer saber quan­tos deles utilizam os imóveis para moradia e não teriam outro lugar para morar após a desocupação. A partir das respostas, a magistrada deverá analisar o que poderá ser feito nestes casos para garantir o di­reito à moradia destas pessoas. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) diz que é obri­gação do poder público realo­car essas pessoas.

No dia 27 de fevereiro, de­cisão em segunda instância do Tribunal de Justiça, a partir de ação proposta pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema – Núcleo Pardo), obrigou a saí­da definitiva e permanente de ranchos e a demolição das edi­ficações localizadas às margens do Rio Pardo em até 120 dias.

De acordo com e decisão, a não desocupação resultará em crime ambiental e multa. O prazo vence no final do mês, em 28 de junho. A recompo­sição da mata ciliar deverá ser feita pela Agropecuária Irace­ma – dona de parte da área – e que também é ré na ação. A determinação da Justiça acon­teceu 23 anos após o início da ação movida pelo Gaema, bra­ço ambiental do MPSP.

Com a desocupação, a Jus­tiça quer que seja cumprida a legislação ambiental com a preservação e constituição de mata ciliar de acordo com a lei número 12.651/2012, que protege as Áreas de Preserva­ção Permanente (APP). Tudo começou em meados de 2000, quando foi firmado o primei­ro Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Na época, foi determinado que a agropecuá­ria deveria tomar medidas de preservação ambiental em seus terrenos, mas sem solicitação para retirada dos ranchos.

No entanto, em 2015, o ór­gão fiscalizador abriu um in­quérito civil ambiental para apurar a situação dos imóveis, movimento este que deu origem à ação contra a Iracema. Em primeira instância, a agropecu­ária foi condenada a remover os ranchos e recuperar as áreas, mas recorreu. No entanto, em dezembro do ano passado a de­cisão foi mantida no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Inscreva-se em nosso Canal no Whatsapp e fique por dentro de tudo que acontece na região.
Clique Aqui!

VEJA TAMBÉM

Hacker vendia sistema para fraude bancária

Luque

Carro capota após colisão na zona Oeste

Luque

RP lidera casos de assédio eleitoral do interior no 2º turno

Luque

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade