Tribuna Ribeirão
Polícia

Operação mira esquema de licitação em prefeitura da região

Ação é resultado de três diferentes inquéritos de 2025 que se cruzaram e levantam a suspeita de haver irregularidades

Policiais civis estiveram na Prefeitura de Cajuru para cumprir mandados de busca e apreensão (Foto: Divulgação)

| Por: Adalberto Luque |

A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (26) a Operação “Cortina de Fumaça” para apurar supostas irregularidades em contratos públicos. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça em Cajuru, Santa Cruz da Esperança, Serra Azul, Batatais e Passos (MG).

A ação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Cajuru, com apoio de policiais civis da região, e faz parte de investigações conduzidas em três inquéritos que, segundo a corporação, apresentam pontos em comum.

As apurações buscam esclarecer a possível ocorrência de fraudes em licitações, eventual pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos responsáveis pela fiscalização de obras e o suposto envolvimento de servidores da Prefeitura de Cajuru na facilitação de contratações e obtenção de benefícios ilícitos.

Uma das investigações apurava irregularidades cometidas entre pregoeiro e licitantes, durante o processo licitatório. Em outra apuração, uma servidora do Departamento de Obras supostamente cobrava propina de vencedores de licitação. E, no terceiro inquérito, um licitante disse ter sido ameaçado por funcionários da prefeitura, cobrando propina para que ele pudesse atuar.

Os serviços licitados envolvem limpeza de córregos, vicinal, pavimentação, limpeza de cemitério e limpeza de vidros. Os nomes dos envolvidos não foram revelados.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, notebooks e documentos encontrados no Departamento de Obras e no Paço Municipal. De acordo com a Polícia Civil, o material poderá contribuir para o esclarecimento dos fatos investigados.

De acordo com as informações, apenas um dos grupos investigados está relacionado a contratos públicos que, ao longo dos anos, envolveram repasses superiores a R$ 3 milhões.

Uma arma de fogo com munições chegou a ser apreendida. Após a apresentação da documentação que comprovou a regularidade, o armamento foi devolvido ao proprietário.

Foram cumpridos mandados em quatro cidades paulistas na região e uma em Minas Gerais; policiais partiram de madrugada da Delegacia Seccional para cumprir as ordens judiciais (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem com a análise do material recolhido, além da realização de oitivas de testemunhas e investigados e de outras diligências consideradas necessárias.

Até o momento, não foram identificados indícios de participação do prefeito de Cajuru. A Polícia Civil ressaltou ainda que os elementos reunidos até esta fase da investigação se restringem às pessoas e situações atualmente sob apuração.

O nome da operação, “Cortina de Fumaça”, faz referência a um dos objetos licitados que integra os contratos investigados e que motivou parte das denúncias recebidas pela Polícia Civil. Numa das denúncias, encaminhada de forma anônima, há um suposto dossiê contra os envolvidos, com fotos e muita informação.

Em nota, a Prefeitura de Cajuru confirmou que recebeu a equipe da Polícia Civil, que cumpriu diligência para apreensão de documentos relacionados à apuração de denúncia envolvendo um servidor ocupante do cargo de Técnico em Licitações.

“A Administração Municipal prestou total colaboração às autoridades, fornecendo acesso aos documentos solicitados e colocando-se à disposição para contribuir com as investigações. Até o momento, a Prefeitura aguarda informações oficiais sobre o andamento da apuração para que, se necessário, sejam adotadas as providências administrativas cabíveis, sempre em conformidade com a legislação vigente e respeitando o devido processo legal. A Prefeitura de Cajuru reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos, permanecendo à disposição para colaborar com os órgãos competentes”, conclui a nota.

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