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Pelas ondas do radioamador!

Adriana Dorazi Especial para o Tribuna Ribeirão

Radioamador, assim es­crito junto, é o operador do rádio usado na comunicação entre pessoas. A tecnologia tem muita tradição e desper­ta paixão para os membros da Casa do Radioamador de Ribeirão Preto (CRRP). Ser­viço de utilidade pública re­conhecido por lei desde 1965, a associação foi fundada um ano antes. Contribui para preservar parte importante da história da comunicação, além de ajudar a salvar vidas!

Casa do Radioamador de Ribeirão Preto completa 60 anos em 2024

Gilmar de Moura Gaspar é o coordenador de entidade sem fins lucrativos na cidade. Também integra uma rede estadual de radioamadores ligada à Defesa Civil. Conta que manter o funcionamento da tecnologia é fundamental. “Usamos o rádio em situa­ções de perigo ou calami­dade, para salvar quem faz trilhas de jipe ou bicicleta. Também participamos, por exemplo, do socorro às pes­soas que foram atendidas no desabamento da gruta Duas Bocas em Altinópolis em 2021”, lembra.

Atualmente são 110 rá­dios licenciados em Ribeirão Preto, conectados a outros 10 mil no estado de São Pau­lo. Em todo país são 350 mil operadores, mais de dois mi­lhões em diversos países pelo mundo. “O radioamadoris­mo é isso, pesquisa, estudo e prática. Aprendemos com os mais experientes um pouco mais de eletrônica, eletrici­dade, antenas, cabos, outros equipamentos”, detalha o co­ordenador.

Novas gerações
No último sábado, quan­do a reportagem do Tribuna Ribeirão foi até a Casa do Radioamador, no bairro Ro­berto Benedetti, um grupo de escoteiros estava presente para aprender como utilizar a linguagem codificada Morse e manejar os aparelhos que podem alcançar grandes dis­tâncias.

Casa do Radioamador de Ribeirão Preto completa 60 anos em 2024

Os jovens testaram na prática as técnicas que já fo­ram usadas em guerras, na­vios e até para ajudar no sal­vamento recente das famílias atingidas pelos deslizamen­tos no litoral paulista graças a uma estação montada em São Sebastião, conectada di­retamente com o Palácio dos Bandeirantes.

Fabiano Freire é um en­genheiro eletricista membro da Casa do Radioamador. O especialista conta que quan­do outras tecnologias falham, como celular e internet, os radioamadores estão sempre prontos para atuar. “Cedemos os equipamentos que fazem parte da nossa rede para que os profissionais bombeiros, policiais, Defesa Civil possa manter a operação e agilizar os trabalhos, poupando vi­das”, relata.

Preservação do Patrimônio
Durante grande parte de sua história a Casa do Ra­dioamador ficou alojada no Morro São Bento, em prédio tombado com este nome, de acordo com o Conselho Mu­nicipal de Patrimônio Histó­rico, o Conppac. Desde 2018, quando o local já precisava de reparos, foi transferida para outro prédio público em sistema de comodato.

Em nota, a prefeitura não confirma o tombamento ofi­cial do prédio no Morro São Bento. Informou apenas que “a Secretaria de Planejamen­to e Desenvolvimento está em trâmite o processo de concessão de direito real de uso em face da Casa do Ra­dioamador (prédio atual). O tempo de concessão previsto é de 30 anos”.

Entidade está em imóvel cedido em comodato desde 2017

Já a Secretaria de Cultura destacou que “está à dispo­sição para apoiar institucio­nalmente a instituição”, sem detalhar como essa ajuda contribui com o trabalho educativo, cultural e histórico da CRRP.

De acordo com Gilmar o apoio do poder público é ape­nas este, que tem valor, mas fica muito aquém das neces­sidades. A associação possui grande acervo histórico de aparelhos e documentos que é preservado graças ao traba­lho voluntário dos membros. São eles quem também inves­tem recursos próprios para que a casa receba visitantes todos os domingos.

Gilmar de Moura Gaspar é o coordenador da entidade sem fins lucrativos

O prédio histórico no morro, onde havia benefícios de expansão do sinal, foi ce­dido ao governo estadual. Até o final do ano deverá abrigar uma base da Polícia Militar. A prefeitura não esclareceu como ficará a questão do tombamento. A reportagem do Tribuna Ribeirão ques­tionou a administração mu­nicipal sobre o tema, mas até o fechamento da edição não obteve resposta.

No prédio da rua Benedi­to Tórtoro, 155, é mantida a “Sala de Memória do Rádio” (composta por equipamentos de radiocomunicação anti­gos, de vários períodos) e “Sala de Leitura” (com acervo de livros e revistas de eletrô­nica, eletricidade e radioco­municação) aberta para visi­tação do público em geral.

De acordo com o registro histórico, a Casa do Radioa­mador começou com uma reunião de profissionais de comunicação da cidade em uma choperia tradicional. “Aos pioneiros, outros mais se juntaram e começaram a se reunir em locais gentil­mente cedidos pelos sim­patizantes do movimento radio amadorístico”, consta no site da entidade.

Rádios portáteis e de diferentes épocas fazem parte do acervo
Ville Hiillesmaa: há 34 anos no Brasil o médico aprendeu Código Morse na infância, repassa o conhecimento a novas gerações e mantém comunicações também via correio com outros radioamadores de todo o mundo

Radioamador em ação
Os associados realizam reuniões abertas, semanais todo domingo às 10h, promo­vendo a troca de experiências técnicas e sociais relevantes ao hobby. Há eventos, trei­namentos e outras atividades esporádicas que podem con­tar com a participação de in­teressados.

Desde a fundação a CRRP promove cursos permanentes em vários níveis, nas áreas de eletrônica, radioeletricidade, telegrafia, e legislação de te­lecomunicação, abertos à po­pulação, direcionados prin­cipalmente aos interessados em prestar exame de ingres­so e/ou promoção de classes dentro do radioamadorismo.

O coordenador destaca que os membros da casa estão à disposição de empresas, es­colas, universidades e grupos de interessados para pales­tras sobre telecomunicações. Mais informações podem ser obtidas direto com Gilmar pelo telefone 16. 99137-3467.

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