| Por: Adalberto Luque |
A Polícia Civil encerrou o inquérito que apurava se Élede Guidi teria sido morta por envenenamento por sua amiga, Elizabete Eugênio Arrabaça. O caso foi arquivado por falta de provas e pela impossibilidade de realizar o exame no cadáver.
O caso foi arquivado pela Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC). Segundo o delegado José Carvalho de Araújo Júnior, o Instituto Médico Legal (IML) informou que não há como realizar exames no corpo da amiga de Elizabete.
“Nós recebemos do IML uma informação de que não há possibilidade de ser feito exame no cadáver, na forma como ele se encontra”, explicou o delegado. Com isso, a idosa, que responde a dois homicídios e uma tentativa, todos por envenenamento, não será denunciada.

Em nota, os advogados Bruno Corrêa Ribeiro e João Pedro Soares Damasceno, informaram que o arquivamento reforça o que a defesa sempre sustentou. “A absoluta ausência de lastro probatório seguro, especialmente da autoria, inclusive para qualquer outra acusação que vem sofrendo, pois, salvo melhor juízo, foram fundamentadas em meras conjecturas”, disseram os defensores.
Eles também reafirmaram que Elizabete é inocente pelo princípio da presunção da inocência ou de não culpabilidade prevista na Constituição Federal. “Por fim, a Defesa esclarece, ainda, que aguardará a posição do Ministério Público quanto ao desfecho do procedimento investigatório”, encerra a nota.
O caso arquivado
Elizabete Arrabaça, de 68 anos, foi investigada pela morte de sua prima, Élede Guidi, de 80 anos, ocorrido em dezembro de 2026, em Pontal. Com as suspeitas envolvendo o nome da idosa, parentes de Élede suspeitaram que ela também teria sido morta pela amiga e prima Elizabete. O inquérito foi arquivado.
Três denúncias
Elizabete foi denunciada por dois homicídios, de sua nora e sua filha, além da tentativa de homicídio de uma amiga. e o filho dela, o médico ortopedista Luiz Antônio Garnica, de 38 anos, já foram pronunciados pela morte de Larissa Rodrigues e vão a júri popular pelo assassinato da professora de pilates. Ambos são réus neste processo penal. Mãe e filho respondem por feminicídio triplamente qualificado – emprego de veneno, meio cruel e mediante dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Luiz Antônio também foi pronunciado por fraude processual, acusado de ter alterado a cena do crime. Ele era casado com Larissa Rodrigues.
Elizabete Arrabaça também foi denunciada pelo assassinato da filha Nathália Garnica, de 42 anos, em 9 de fevereiro de 2025, por envenenamento.
A promotora Anne Marie Lourenço Karsten, de Pontal, também acusa a idosa de feminicídio triplamente qualificado no caso da morte da veterinária – emprego de veneno, meio cruel e mediante dissimulação e de recurso que dificultou a defesa da vítima.
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) – instância máxima da Corte Paulista, formado por 25 desembargadores, 13 mais antigos e doze eleitos pelo Tribunal Pleno – confirmou que a ação penal envolvendo a morte de Nathalia Garnica, de 42 anos, em 9 de fevereiro do ano passado, por envenenamento, continuará a tramitar em Pontal. A data do júri popular ainda não foi marcada. Segundo a defesa, a denúncia foi recebida, mas o pedido de prisão preventiva foi indeferido. Elizabete, todavia, está presa desde 2025, atualmente na Penitenciária de Tremembé, aguardando o Tribunal do Júri do caso Larissa.

No dia 24 de abril, a juíza Bruna Araújo Capelin Matioli, da Vara Criminal de Pontal, acatou a denúncia do promotor Vinicius Pascueto Amaral contra Elizabete, agora ré por tentativa de homicídio qualificado – motivo torpe, emprego de veneno, meio insidioso e cruel e mediante dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do agravante de ter cometido o crime contra maior de 60 anos – contra a amiga Neusa Maria Costa de Andrade Ghioto, de 78 anos. A defesa alega inocência nos três casos em que ela foi denunciada.

