Tais Roxo Fonseca *
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A frase estampada na capa de uma revista esta semana e dita pelo ator de novelas Tony Ramos, me chamou a atenção. Não apenas pela frase em si, mas pela ideia que ela carrega. Afinal, em tempos em que todos querem falar, aparecer, gravar vídeos e conquistar o eleitor pelas redes sociais, talvez a política esteja precisando justamente o contrário: mais escuta e menos espetáculo. Escutar parece simples, mas não é. A jornalista perguntou ao nosso querido Tony Ramos, qual seria uma frase que o representasse, ele respondeu: Eu sou escuta. Ouvir alguém,diz, significa permitir que aquela pessoa nos diga algo que talvez não queiramos ouvir. Significa abandonar, ainda que por alguns instantes nossas certezas e respostas prontas.
Na política isso deveria ser uma virtude essencial. Não precisamos de justiceiros, nem mesmo de influenciadores, transformados em personagens permanentes das redes sociais. Precisamos de políticos que realmente ouçam o povo. Parece clichê dizer que o político deve exercer o mandato em nome do interesse público, o verdadeiro interesse primário, mas as frases clichês existem porque de tempos em tempos precisamos lembrar aquilo que deveria ser obvio. É muito fácil falar para uma câmera que irá por fim a corrupção e sair por aiaçointando cidadãos inocentes.
Difícil é sentar diante de uma comunidade e ouvir o que realmente ela clama. Por isso, precisamos dar ao povo mais do que o direito de votar, precisamos devolver –lhe o poder político real. Orçamento participativo, conselhos populares , audiências públicas verdadeiras, consultar as comunidades de base , realizar debates permanentes nos bairros , são todos instrumentos democráticos, independentemente de partidos ou ideologias, isso é instrumento de aperfeiçoamento da democracia. Talvez essa seja a grande questão do nosso tempo, queremos cidadãos ou apenas eleitores.
Quando o político se distancia do povo, abre-se espaço para eleição de justiceiros, que caem de paraquedas de tempos em tempos, são os mais arriscados, que prometem resolver tudo sozinhos. Mas a democracia não precisa de heróis , precisa de instituições fortes, cidadãos participantes e governantes capazes de entender que estão abaixo das leis e não acima delas.
A relação entre política e figuras justiceiras no Brasil é marcada por fenômenos sociais que os indivíduos atuam à margem da lei, sob pretexto de combater o crime, muitas vezes ganhando apelo popular e migrando para carreiras políticas. Historicamente, surgiram figuras como Tenório Cavalcante, “o homem da capa preta”, que atuou na baixada fluminense entre as décadas de 1940 e 1960, carregava uma metralhadora apelidada de Lurdinha, também em São Paulo,ficou famosa a figura do Chico Pé de Pato, da zona leste, além do Mão Branca, que atuava da mesma forma que todos os outros.
Os cientistas políticos apontam que daí surgem as milícias modernas. Para que a população consiga identificar quem realmente dá voz a ela e descartar o político parlapatão, a avaliação deve focar em situações praticas, ou seja, o político parlapatão é aquele que encena personagens, já o representante tem um lastro de trabalho ligado às causas daquela comunidade.
O político parlapatão grita e faz discursos inflamados nas redes sociais, ataca os adversários com ofensas pessoais, mas não apresenta projetos de interesse público. O parlapatão cria barreiras e somente fala através dos canais midiáticos controlados, o verdadeiro representante popular mantem canais abertos de diálogo. Qualquer semelhança é mera coincidência, as inspirações deste artigo escrito sob minha pena, saltam os muros da nossa singelaRibeirão Preto.
* Advogada

