Rui Flávio Chúfalo Guião *
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Em 1965, a Companhia Comércio Indústria “Antônio Diederichsen”, decidiu criar uma divisão separada para o comércio de veículos e constituiu a primeira empresa do hoje denominado Grupo Santa Emília.
Logo foi discutida a necessidade de um nome para o setor recémorganizado e escolheu-se Santa Emília, em homenagem à Emília Ferreira Penna,mãe do titular da empresa, Manoel Penna. Grande gesto de homenagem filial e familiar, embora, de início se estranhasse a indicação de santa pouco conhecida.
Emília Ferreira Penna foi uma grande mulher, a frente de seu tempo. Professora na escola primária da fazenda de seu pai, no Vale do Paraíba, quando as mulheres de então se contentavam em ser de prendas domésticas, criou seus filhos com a sabedoria e o bom senso dos que sabem ler no livro da natureza. Embora tenha falecido ainda jovem, preparou seus filhos para a vida. Dentre eles, Manoel Penna, que muito fez por nossa cidade.
Durante mais de quarenta anos, foi Tesoureiro da Santa Casa de Misericórdia local, contribuindo com generosas doações a várias entidades sociais de Ribeirão Preto. Presidiu a PRA-7, Rádio Club de Ribeirão Preto durante a revolução de 1932 e foi fundamental para a consolidação da Associação Comercial e Industrial local. Era o braço direito do grande benfeitor Antônio Diederichsen e juntos fizeram muitas obras em prol da nossa cidade. Recebeu dela várias homenagens, inclusive a denominação de Manoel Penna a conjunto habitacional na região leste.
E quem seria a santa que teria seu nome ligado ao importante grupo empresarial de nosso Estado?
A hagiografia aponta a existência de três santas com o nome de Emília.
A primeira e mais antiga é Santa Emília de Cesareia, que viveu no século IV d.C, na Capadócia, atual Turquia.Foi mãe de nove filhos, quatro dos quais foram também considerados santos. Foi mulher piedosa, que buscou moldar sua vida na imagem de Maria, mãe de Jesus.
Santa Emilia de Vialar nasceu na França no final do século XVII, também de família nobre. Ao recusar o casamento arranjado pela família, dedicou-se à caridade. Em Gaillac, sul da França, criou uma casa para abrigar os despossuídos, especialmente meninas, ali fundando a Congregação das Irmãs de São José da Aparição, que atua até hoje na Europa e África.
Santa Emília de Rodat viveu e morreu no século XIX na França. Filha de nobres, dedicou sua vida a educação dos jovens e ao amparo aos carentes. Em 1832, fundou a Congregação das Irmãs da Sagrada Família de Villefranche, que até hoje, inclusive em Pernambuco, atua na “ evangelização, educação, assistência aos pobres, trabalhos com jovens, enfermagem e cuidado com os idosos “.
Quando escolhemos o nome Santa Emília, não sabíamos da existência das três santas.
Aliás, quando preparávamos a inauguração da empresa, a Volkswagen enviou executivo da área de promoções e propaganda para nos assessorar, numa época em que conhecíamos pouco das suas normas. Ele sugeriu que colocássemos uma imagem da nossa santa presidindo o evento e apesar de muita procura ( não havia internet na ocasião ), não a encontramos.
Hoje, invocamos a proteção das três para nossas atividades, sempre lembrando as virtudes de Emília Ferreira Penna. E qualquer que seja nossa fé, é sempre bom termos alguém para nos ajudar.
* Advogado e empresário, é presidente do Conselho da Santa Emília Automóveis e Motos e secretário-geral da Academia Ribeirãopretana de Letras

