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Quatro serão julgados no caso Nelson

Réu confesso, Marlon Couto continua foragido; além dele, outros três serão levados a júri popular, que ainda não tem data definida.

Nelson foi morto em maio de 2025, mas seu corpo nunca foi localizado (Foto: Redes Sociais)

| Por: Adalberto Luque |

A Justiça de Cravinhos decidiu que quatro dos sete indiciados pela morte do empresário Nelson Carreira Filho, ocorrida em maio do ano passado, serão submetidos ao Tribunal do Júri. Réu confesso, o também empresário Marlon Couto Paula Júnior segue foragido.

O processo corre em segredo de Justiça. A reportagem do Tribuna Ribeirão apurou que a audiência de instrução foi realizada entre os dias 24 e 27 de novembro do ano passado, no Fórum de Cravinhos. O juiz responsável foi Rodrigo Brandão Sé.

Marlon será julgado por homicídio, ocultação de cadáver, fraude processual e falsidade ideológica. Também irão a júri Tadeu de Almeida Silva (homicídio, ocultação de cadáver e fraude processual); Murilo Couto Paula, irmão de Marlon (ocultação de cadáver e falsidade ideológica); e Felippe Miranda (ocultação de cadáver e fraude processual).

Segundo a investigação, Tadeu enrolou o corpo de Nelson em uma lona e levou o carro do empresário até São Paulo, onde a vítima residia. Felippe teria lançado o corpo nas águas do Rio Grande. Já Murilo teria providenciado a troca dos veículos para dificultar o rastreamento dos carros utilizados na ocultação do cadáver e na viagem até São Paulo. Ele também teria contratado a dedetização da empresa do irmão, onde Nelson foi assassinado.

Além de Tadeu (esq.) e Marlon, Murilo Couto e Felippe Miranda vão a júri popular (Fotos: Redes Sociais)

A reportagem também apurou que apenas os quatro responderão ao Tribunal do Júri. Os demais investigados não serão julgados. A Justiça entendeu não haver provas suficientes para levar a julgamento a esposa de Marlon, Marcela Silva de Almeida, e os pais dele, Marlon Couto Paula e Lilian Patrícia Gonçalves Paula.

A data do julgamento ainda não foi definida. Mesmo que Marlon não se apresente ou não seja capturado, ele poderá ser julgado à revelia. Tadeu, que era o único preso preventivamente, foi colocado em liberdade recentemente. Ele responderá ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares.

O advogado de Felippe já recorreu da decisão que o levou ao Tribunal do Júri. O mesmo foi feito pelas defesas de Marlon e de Murilo. A defesa de Tadeu também pretende recorrer, sob o argumento de que não há provas de que ele tenha participado do planejamento do crime.

Entenda o caso

O empresário Nelson Francisco Carreira Filho, de 44 anos, desapareceu em 16 de maio de 2025, após viajar de São Paulo a Cravinhos para uma reunião de negócios com Marlon. Segundo familiares, ele costumava ir semanalmente à cidade para encontros relacionados à venda de suplementos alimentares. Marlon afirmou inicialmente que Nelson deixou o local às pressas após receber uma ligação da esposa.

Marcela (foto) e os pais de Marlon não serão julgados (Foto: Redes Sociais)

O carro da vítima foi registrado em pedágios e por um radar na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, na Zona Norte da Capital, onde acabou abandonado. Dias depois, Tadeu de Almeida Silva, diretor-executivo das empresas de Marlon, admitiu ter ouvido o disparo e visto Nelson morto. Ele afirmou que, por determinação de Marlon, ajudou a enrolar o corpo em uma lona, limpar o local e levar o carro da vítima até São Paulo. Tadeu, Marlon e a esposa do empresário estiveram na casa de Nelson para prestar solidariedade à família, mas o empresário paulistano já havia sido morto.

Em carta entregue à Polícia Civil, Marlon confessou ter matado Nelson após uma discussão motivada por desavenças comerciais, alegando legítima defesa. Segundo seu relato, o corpo foi lançado no Rio Grande, em Miguelópolis, onde ele mantinha um rancho. As buscas se estenderam por vários dias, mas os restos mortais nunca foram encontrados.

Marlon permanece foragido e teve o nome incluído no Banco Nacional de Mandados de Prisão.

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