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Ribeirão e o turismo: antes, agora e depois do Observatório Econômico e Turismo

Um diagnóstico para entender de onde viemos e para onde podemos ir

Aguinaldo Rodrigues da Silva *

Ribeirão Preto não começou a fazer turismo com a criação do Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto e Região – OTURP. A cidade já possui, há décadas, uma forte vocação para o turismo de negócios, eventos, saúde, cultura, gastronomia e serviços. O que mudou e pode mudar ainda mais é a maneira de conhecer, medir, planejar e administrar essa atividade econômica. Isto foi apresentado ontem no 2* Café com Dados – Hotelaria e Turismo patrocinado pelo Observatório Econômico e Turismo – OTURP, em reunião online, com a presença das maiores redes hoteleiras operando em nossa cidade, acompanhada de todo o grupo técnico e profissionais do tread.

Antes e durante muitos anos, o turismo de Ribeirão Preto era percebido principalmente pelos grandes acontecimentos que movimentavam a cidade. Agrishow, João Rock, Feira do Livro, eventos empresariais, congressos, formaturas, atividades culturais e esportivas e o próprio movimento regional traziam visitantes e movimentavam hotéis, restaurantes, bares, comércio, transporte e serviços. A cidade já tinha infraestrutura para receber visitantes e uma posição estratégica como polo regional.

Entretanto, havia uma dificuldade: sabíamos que o turismo movimentava a economia, mas nem sempre sabíamos exatamente quanto, quem era o visitante, de onde vinha, quanto gastava, onde se hospedava, quanto tempo permanecia e quais experiências consumia. Portanto, o problema de Ribeirão Preto nunca foi a ausência de potencial. Foi, em grande medida, a falta de uma estrutura permanente de inteligência turística, capaz de transformar o movimento existente em conhecimento para orientar decisões.

Agora o turismo começa a ser enxergado como atividade econômica mensurável, pois Ribeirão Preto chega a uma nova etapa. A existência do Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto e Região – OTURP cria uma possibilidade diferente: deixar de olhar o turismo apenas pelo calendário de eventos e começar a acompanhá-lo por meio de indicadores, pesquisas, comportamento do visitante e impacto econômico. A cidade também conquistou o reconhecimento como Município de Interesse Turístico (MIT), resultado de uma articulação envolvendo Prefeitura, Secretaria de Cultura e Turismo, iniciativa privada e COMTURP. Portanto, o desafio não é simplesmente “atrair turistas”. O desafio é qualificar o turismo que já existe e criar novas razões para o visitante permanecer em Ribeirão Preto.

Portanto, o depois, ou o próximo salto, é transformar Ribeirão Preto em um destino regional integrado. Por isso, o Observatório tem uma oportunidade estratégica: produzir inteligência não apenas sobre o visitante que chega a Ribeirão Preto, mas sobre a cadeia turística regional.Ribeirão Preto não precisa necessariamente de um turismo maior, antes de ter um turismo melhor planejado. Precisa utilizar melhor aquilo que já possui, aumentar a permanência do visitante, ampliar seu consumo na cidade e transformar eventos, negócios, cultura, gastronomia e serviços em experiências turísticas integradas. Motivo pelo qual, acreditamos que o Observatório não deva ser apresentado como “mais uma entidade de turismo”, mas como uma estrutura de inteligência que ajudará a cidade inteira a enxergar o turismo com dados estatísticos.

* Presidente Sindtur e Observatório Econômico e Turismo de Ribeirão Preto

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