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Ribeirão Preto e a Energia do Futuro

Tirso Meirelles *
@tirsomeirellesoficial

Celebrar os 170 anos de Ribeirão Preto é muito mais do que recordar a trajetória de uma cidade que se tornou referência nacional em desenvolvimento econômico. É reconhecer a capacidade de uma região que soube transformar vocação agrícola em prosperidade, conhecimento e inovação. Ao longo de sua história, Ribeirão Preto construiu uma identidade fortemente ligada ao empreendedorismo, à tecnologia e à busca permanente por soluções capazes de impulsionar não apenas o agronegócio paulista, mas toda a economia brasileira.

Poucas regiões do mundo podem afirmar que participaram de maneira tão decisiva da construção de uma nova matriz energética quanto Ribeirão Preto. Foi aqui, no coração do interior paulista, que a cana-de-açúcar deixou de ser apenas uma cultura agrícola para se transformar em uma das bases da segurança energética nacional. A partir da força dos produtores rurais, da capacidade de investimento das usinas e da atuação integrada entre pesquisa, indústria e campo, o Brasil tornou-se líder mundial em bioenergia, criando um modelo admirado internacionalmente e que continua servindo de exemplo para países que buscam reduzir sua dependência dos combustíveis fósseis.

Hoje, quando a pauta global está centrada na descarbonização da economia, na segurança energética e na sustentabilidade ambiental, Ribeirão Preto volta a ocupar posição estratégica. O etanol brasileiro é reconhecido como uma das alternativas mais eficientes para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Mas a revolução energética não para por aí. A mesma cadeia produtiva que produz açúcar e etanol também gera energia elétrica a partir da biomassa, investe em biogás, desenvolve biometano e participa ativamente das pesquisas que abrirão caminho para combustíveis sustentáveis voltados à aviação e ao transporte pesado.

A região compreendeu antes de muitos que o futuro da energia será cada vez mais diversificado. Não haverá uma única solução, mas um conjunto de tecnologias capazes de atender às necessidades de uma população crescente e de uma economia em constante transformação. Nesse cenário, o agro brasileiro possui uma vantagem competitiva extraordinária: a capacidade de produzir energia renovável sem abrir mão de sua missão principal, que é produzir alimentos. Essa integração entre segurança alimentar e segurança energética será um dos grandes diferenciais do Brasil nas próximas décadas.

É justamente por isso que o Centro de Excelência na Cultura da Cana-de-Açúcar e Bioenergia, que está sendo implantado em Ribeirão Preto pelo Senar-SP, representa um marco tão importante. Mais do que uma instituição de ensino, ele simboliza uma visão de futuro. Se no passado a riqueza era medida pela capacidade de produzir, no presente e no futuro ela será determinada pela capacidade de inovar. E a inovação depende, acima de tudo, de pessoas qualificadas.

O Centro nasce para formar profissionais preparados para enfrentar os desafios de uma agroindústria cada vez mais tecnológica. Seus laboratórios, suas áreas de pesquisa e sua integração com o setor produtivo permitirão a formação de técnicos, especialistas e gestores capazes de liderar a próxima geração da bioenergia brasileira. Estamos falando de um ambiente voltado para a pesquisa aplicada, para a inovação e para a conexão entre conhecimento e prática.

Essa mesma lógica explica a importância da Agrishow para Ribeirão Preto e para o agronegócio nacional. Ao longo das últimas décadas, a feira consolidou-se como a principal vitrine de tecnologia agrícola da América Latina e uma das maiores do mundo. Mais do que uma exposição de máquinas e equipamentos, a Agrishow tornou-se um ambiente de transformação, onde produtores rurais têm contato direto com soluções inovadoras que aumentam a produtividade, reduzem custos e tornam a atividade agropecuária cada vez mais eficiente e sustentável.

A cada edição, a feira demonstra como a agricultura brasileira evoluiu. Sistemas de agricultura de precisão, inteligência artificial, conectividade rural, automação, drones, sensoriamento remoto e novas tecnologias voltadas à sustentabilidade deixaram de ser tendências para se tornarem realidade nas propriedades rurais. A Agrishow é, em muitos aspectos, uma antecipação do futuro. E não por acaso escolheu Ribeirão Preto como sua casa. A cidade reúne o ambiente ideal para conectar pesquisa, inovação, empreendedorismo e produção.

Quando olhamos para os próximos 170 anos, o que vemos é uma Ribeirão Preto ainda mais relevante. Uma cidade capaz de liderar o desenvolvimento das novas matrizes energéticas, de formar profissionais para uma economia de baixo carbono, de atrair investimentos em inovação e de consolidar sua posição como um dos mais importantes polos tecnológicos do agronegócio mundial.

A cidade que ajudou a construir a história do café, que liderou a revolução do etanol e que abriga a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina está preparada para protagonizar uma nova etapa do desenvolvimento brasileiro. Uma etapa em que conhecimento, inovação, sustentabilidade e empreendedorismo caminharão lado a lado.

* Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)

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