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Ribeirão Preto – PRA7

Sérgio Roxo da Fonseca *
[email protected]

Taís Roxo Fonseca *
[email protected]

Por volta de 1950, a Rua Paranapanema era conhecida como Corredor dos Calabreses, assim definida como o local que reunia um número decisivo de italianos. Isto em Ribeirão Preto.

É escusado dizer que os calabreses ou italianos estavam reescrevendo a história da cidade. Mesmo assim a Administração Municipal substituiu o nome do local para Rua Paranapanema. Há quem até hoje indague o que “Paranapanema” contribuiu com a sua história da cidade para alterar o trabalho aqui deixado pelos italianos e pelos seus filhos e netos. Essas questões habitam a memória daqueles que conviveram naquele tempo com revolução histórica da cidade. Mas o andar do tempo alterou até mesmo o nome de “calabreses” para “italianos”!

A cidade de Ribeirão Preto viveu e conviveu com o seu povo por tempo tão distante que encontraram um córrego com água preta para inspirar o batizado urbano. Pelas terras inexploradas os exploradores encontraram um misterioso rio de águas pretas com as quais batizaram a tão brava e leal cidade de São Sebastião!

Mas é relevante anotar um dado de sua história. Um cidadão instalou no centro da cidade uma rádio denominada “PRA7 – Rádio Clube de Ribeirão Preto”. Foi a marca registrada daqueles extraordinários tempos.

Era ali que Padre Luiz, cura da catedral, pregava quase diariamente os seus caminhos religiosos.Tempos após, o Padre Luiz tornou-se bispo no Paraná.

Tratava-se de uma das rádios mais antigas do Brasil. Basta ver que a cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, somente depois de Ribeirão Preto conseguiu implantar a sua rádio, com o nome de PRE-8.  Bem depois do nascimento da nossa PRA7.

Inicialmente a PRA7 estava instalada na Rua Tibiriçá, na imediações da Praça XV de Novembro, bem próxima da Rua General Osório, ao lado do então Centro Médico, defronte da Casa Alemã, portanto,nas imediações do Pinguim. Quem atravessasse a rua estaria na porta do mais perfeito teatro construído na praça e batizado como Pedro II.

De certa feita um ribeirãopretano comprou um livro sobre a nossa história, tendo na capa o Teatro Pedro II e a Praça XV. Tinha o propósito de presentear o comandante do navio que transportava ele e a família para e Europa.

Durante um jantar, já no meio da viagem, o nosso amigo dirigiu-se ao comandante, dando-lhe o livro, comentando que ali estava a nossa história, remarcada pelo prédio do Pedro II, o único grande teatro até então construído em terras do interior do Brasil.

O comandante tomou o livro e deitou seus olhos na capa para então exclamar: “olha o Pinguino”, demonstrando que o “Pinguino“ era internacionalmente mais conhecido do que o maravilhoso Pedro II. “Pinguino” não, comandante, “pinguim” esclareci eu ao viajante.

* Advogado, professor livre docente aposentado da Unesp, doutor, procurador de Justiça aposentado, e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras

** Advogada          

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