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RP quer escolas ‘cívico-militares’

ALFREDO RISK

Ribeirão Preto pode ter três escolas municipais incluídas no mo­delo cívico-militar do governo federal a partir de 2020. A proposta anunciada recentemente pelo presidente da República, Jair Bolso­naro (PSL), prevê que militares atuem na disciplina dos alunos, no fortalecimento de valores éticos e morais e na área administrativa, trabalhando para melhorar a infraestrutura e a organização da esco­las e dos estudantes.

Foram selecionadas pela Secretaria Municipal da Educação para se candidatarem ao programa as Escolas Municipais de Ensino Funda­mental (Emefs) Nelson Machado (Jardim Maria Casagrande Lopes), Professor Honorato de Lucca (Jardim Salgado Filho) e a Doutor Jaime Monteiro de Barros (Jardim Aeroporto), todas na Zona Norte. As unidades foram escolhidas por apresentarem baixos índices no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e no Saber 2019, sistema de avaliação da rede municipal de ensino.

Apesar da indicação, a secretaria pretende realizar uma consulta pú­blica com os estudantes, pais e professores para ver se eles desejam aderir ao modelo proposto por Jair Bolsonaro. Como o prazo final para os municípios aderirem à proposta terminou na quinta-feira, 26 de setembro, Ribeirão Preto solicitou mais 15 dias ao governo federal para poder realizar a consulta pública. Em todo o País, serão 54 escolas por ano – duas de cada Unidade da Federação (UF) – sob a forma de gestão híbrida entre civis e militares. O orçamento do Mi­nistério da Defesa para este programa em 2020 é de R$ 54 milhões.

Como funcionará – Em parceria com o Ministério da Educação (MEC), o Ministério da Defesa vai destacar militares da reserva das Forças Armadas para trabalhar nas escolas, levando mais discipli­na e organização. A ideia é que eles sejam contratados por meio de processo seletivo. A duração mínima do serviço é de dois anos, prorrogável por até dez, podendo ser cancelado a qualquer tempo. Os profissionais vão receber 30% da remuneração que recebiam antes de se aposentar.

Segundo o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, o trabalho em grupo é fundamental para o sucesso do programa. ”A busca por parcerias e a adoção de práticas consagradas é um dos cami­nhos para garantir o futuro dos brasileiros. Dessa forma, o programa foi estruturado pelo MEC, com apoio da Defesa e outros órgãos”, diz.

Os estados poderão ainda destinar policiais e bombeiros militares para apoiar a administração das escolas. Nesse caso, o MEC repassará a verba ao governo, que, em contrapartida, investirá na infraestrutura das unidades, com materiais escolares e pequenas reformas. Serão investidos R$ 1 milhão por escola. Desse montante sairá o pagamento dos militares da Defesa e a verba para quem aderir ao programa.

O subsecretário de Fomento às Escolas Cívico-Militares do MEC, Aroldo Cursino, atenta para o fato de a adesão ser voluntária. “O processo começa nos estados. São eles que definem quais escolas farão parte do programa”, diz. Os colégios devem ter de 500 a mil alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e/ou do ensino médio. Antes disso, a comunidade escolar deverá aceitar a mudança.

Uma das condições fixadas pelo MEC é que estados e municípios apli­quem uma consulta pública para esse fim, afinal a adesão ao programa é voluntária. Essa ação por ser, por exemplo, uma audiência pública ou uma votação. A escola cívico-militar é um modelo desenvolvido para melhorar a educação básica do país. Para isso, será construído um ambiente de parcerias e de maior vínculo entre gestores, professores, militares, estudantes e até mesmo pais e responsáveis.

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