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Tead ameaça entrar com ação na Justiça

ALFREDO RISK/ARQUIVO

Desde 2002, quando ven­ceu o processo licitatório para construção e operacionaliza­ção de um terminal alfande­gado no Aeroporto Estadual Doutor Leite Lopes, em Ribei­rão Preto, a Tead Brasil – Ter­minais Aduaneiros do Brasil já investiu R$ 70 milhões no pro­jeto. A informação é do presi­dente da empresa, Carlos Er­nesto Campos, que falou com o Tribuna nesta quarta-feira, 21 de outubro.

Segundo Campos, apesar de todos os investimentos fei­tos ao longo desses 18 anos, Tead Brasil não obteve ne­nhum retorno financeiro, já que a internacionalização do aeroporto para o transporte de cargas não saiu do papel “por inoperância do poder público”, diz.

Desde 2002, o Leite Lopes tem autorização da Agencia Nacional de Aviação Civil (Anac) para receber voos in­ternacionais de carga, mas a extensão da pista não permite pousos e decolagens de aviões cargueiros. Para Campos, ape­sar da autorização, a pista não foi adequada como deveria para pousos e decolagens deste tipo de aeronave.

“Em vez disso, ao longo deste período, os governos estadual e municipal ficaram discutindo Termos de Ajusta­mento de Conduta (TACs) que inviabilizavam a adequação”, afirma. Entre os valores lista­dos pelo empresário, já gastos pela empresa no aeroporto, está construção de um termi­nal alfandegado.

Também cita todos os pro­cedimentos administrativos necessários junto a órgãos como a Receita Federal para que o transporte de cargas in­ternacionais fosse possível no Aeroporto Leite Lopes. O em­presário afirma que os custos da empresa neste período fo­ram muito grandes.

Também diz que a Tead Brasil cumpriu tudo o que está previsto no contrato de concessão assinado em 2002. Entretanto, o governo não te­ria feito sua parte, por isso o prejuízo, diz Carlos Ernesto Campos. De acordo com o presidente da empresa, caso o imbróglio sobre o assunto não seja resolvido rapidamente, a única solução será recorrer à Justiça com uma ação indeni­zatória contra o Estado.

“Queremos resolver o pro­blema amigavelmente. Mas, se isso não for possível, va­mos judicializar o assunto no máximo em 30 dias”, diz. No ano passado, em uma batalha judicial com o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) – autarquia vin­culada à Secretaria de Logística e Transportes –, ficou determi­nada a suspensão da cobrança de taxas da empresa enquanto não for resolvida a questão da internacionalização.

Segundo a Secretaria de Logística e Transportes, a con­cessão de 22 aeroportos regio­nais administrados pelo Daesp foi incluída no pacote “Reto­mada 21/22”, anunciado na sexta-feira (16) pelo governo estadual para estimular a eco­nomia no pós-pandemia. Isso significa, segundo a secretaria, que a licitação para a conces­são sofreu impactos e foi adia­da por causa da pandemia do coronavírus.

Em nota enviada nesta quarta-feira ao Tribuna, a pasta informa: “O processo de desestatização dos 22 ae­roportos do Daesp, incluindo o Leite Lopes, já teve o mo­delo de concessão em blocos apresentado, divulgado, e, após os efeitos sofridos pelo setor, em razão da pandemia, o governo paulista passou a estudar o melhor momento para publicar o edital”.

E prossegue: “A previsão é que a publicação se dê ainda neste ano, no mês de dezembro (a data inicial era novembro). Para o aeroporto de Ribeirão Preto, o projeto prevê inves­timentos que somam mais de R$ 119 milhões”, conclui. A concessão do Leite Lopes para a iniciativa privada já estava prevista desde o início de 2019, mas a publicação do edital já foi adiada várias vezes.

Os 22 aeroportos – nove deles com serviços de aviação comercial regular e 13 desti­nados à modalidade executiva – estão divididos em dois lotes no processo de licitação inter­nacional. Juntos, os dois gru­pos movimentam atualmente 2,4 milhões de passageiros por ano, considerando embarques e desembarques.

Estimativas técnicas apon­tam para crescimento de mais de 230% no movimento dessas unidades aeroportuárias du­rante o período de concessão, ultrapassando os oito milhões de passageiros ano ao final do período. O Aeroporto Esta­dual Doutor Leite Lopes, em Ribeirão Preto, está no Grupo Sudeste.

Grupo Sudeste
O lote é composto por nove unidades, cuja principal é a de Ribeirão Preto. Também são aeroportos comerciais neste grupo os de Marília, Bauru, Araraquara e Franca. Já os de aviação executiva são os de São Carlos, Sorocaba, Guaratin­guetá e Registro. A previsão é que os investimentos neste lote chegue a R$ 233 milhões. A concessão será válida pelo pe­ríodo de 30 anos.

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