Tribuna Ribeirão
Justiça

Supremo proíbe o orçamento secreto

ROSINEI COUTINHO/SCO-STF

O Supremo Tribunal Fe­deral (STF) derrubou defini­tivamente nesta terça-feira, 9 de novembro, os repasses do orçamento secreto – esquema de sustentação do governo Jair Bolsonaro no Congresso. Com placar parcial de seis votos a zero, a Corte manteve a deci­são liminar (provisória) expe­dida pela ministra Rosa Weber na sexta-feira (5).

O julgamento foi perme­ado por pressões de parla­mentares beneficiados pelo esquema. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP­-AL), tido como principal operador da distribuição de emendas de relator-geral do orçamento (RP-9), o dispo­sitivo utilizado no orçamento secreto, chegou a ir ao Supre­mo na segunda-feira (8) para conversar com o presidente da Corte, Luiz Fux.

Tentava derrubar a limi­nar da ministra. A decisão do colegiado mina seu poder de controle e negociação no Con­gresso. No despacho, Rosa de­terminou a suspensão integral e imediata da distribuição de emendas de relator até o final de 2021 – a falta de transpa­rência do dispositivo foi a bre­cha encontrada pelo Palácio do Planalto para utilizá-lo na compra de votos.

A ministra também orde­nou que o governo dê “ampla publicidade” aos ofícios enca­minhados por parlamentares para alocação dos recursos em seus redutos eleitorais. Para isso, ela exigiu a publi­cação de todos os pedidos “em plataforma centralizada de acesso público”.

“Causa perplexidade a des­coberta de que parcela signifi­cativa do orçamento da União Federal esteja sendo ofertada a grupo de parlamentares, me­diante distribuição arbitrária entabulada entre coalizões políticas, para que tais con­gressistas utilizem recursos públicos conforme seus in­teresses pessoais, sem a ob­servância de critérios objeti­vos”, escreveu a ministra em sua decisão de 49 páginas.

O julgamento no plená­rio virtual (plataforma em que os ministros depositam seus votos à distância) teve início na madrugada desta terça-feira e vai até as 23h59 desta quarta-feira (10). A ministra Rosa Weber seguiu o tom adotado no despacho e proferiu um voto contunden­te, com recados aos responsá­veis pelo esquema.

“Tenho para mim que o modelo vigente de execução financeira e orçamentária das despesas decorrentes de emen­das do relator viola o princípio republicano e transgride os postulados informadores do regime de transparência no uso dos recursos financeiros do Estado”, afirma.

Logo nas primeiras horas de julgamento, Rosa foi acom­panhada pelos ministros Luís Roberto Barroso e Cármen Lú­cia, que também se incumbiu de responder com firmeza à falta de transparência do orçamento secreto. Barroso disse não ter apresentado seu voto por escri­to por acreditar que “os argu­mentos estavam bem postos” na manifestação da relatora da ação. Edson Fachin juntou seu voto à maioria, seguido pelos colegas Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes.

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