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Terminou a Copa. Começou outra disputa

Foto: Arquivo

A final da Copa do Mundo foi disputada no dia 19 de julho. No dia seguinte teve início, para muitos brasileiros, a maior competição do ano: as eleições gerais de 2026. Em 20 de julho abriu-se o período das convenções partidárias, quando serão definidos os candidatos à Presidência da República, ao Congresso Nacional, aos governos estaduais e às assembleias legislativas. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro. Também começou a valer o prazo para o exercício do direito de resposta contra afirmações caluniosas, difamatórias, injuriosas ou sabidamente falsas. A julgar pelo histórico recente, esse será um dos dispositivos mais acionados durante a campanha.

Acompanho eleições desde a infância. Naquela época, apenas Arena e MDB disputavam o voto dos brasileiros. Eu colecionava santinhos, ouvia atentamente a propaganda no rádio e na televisão e lia cada folheto que chegava às minhas mãos. Sim, eu gostava mesmo.

Com o passar dos anos, deixei de ser apenas espectador. Fui voluntário em campanhas, distribuí material de divulgação, coordenei candidaturas, presidi partidos, fui candidato e tive a honra de ser eleito vereador por duas vezes. Trabalhei como escrutinador, depois como mesário e também atuei como advogado perante a Justiça Eleitoral. Vivi quase todas as etapas do processo democrático brasileiro e isso me permitiu compreender um pouco da complexidade das eleições.

Talvez por conhecer esse universo, aprendi a respeitá-lo. Às vezes ainda me entusiasmo; em outras, decepciono-me. Mas procuro nunca me iludir. A política brasileira reúne pessoas das mais diversas origens e perfis. Apesar da descrença que frequentemente domina o debate público, há homens e mulheres honestos, competentes e comprometidos, capazes de oferecer importantes contribuições à sociedade.

Infelizmente, também existem aqueles que enxergam a política apenas como instrumento de benefício próprio. São oportunistas, despreparados ou desonestos que, por meio de acordos espúrios, desviam recursos que deveriam financiar saúde, educação, segurança, infraestrutura e tantos outros serviços essenciais.

O momento eleitoral exige atenção ainda maior porque o Brasil não está isolado do restante do mundo. Conflitos internacionais, disputas econômicas e mudanças geopolíticas influenciam diretamente a vida nacional. Ao mesmo tempo, cresce o poder da manipulação, seja ela política, midiática, econômica ou até religiosa, tornando cada vez mais difícil separar fatos de narrativas.

Por isso, permito-me deixar um conselho ao eleitor. Não permita que a política destrua amizades ou divida famílias. As eleições passam; os relacionamentos permanecem. Na política partidária, o aliado de hoje pode tornar-se adversário amanhã, assim como rivais frequentemente se unem na eleição seguinte. Na vida pessoal, entretanto, certas rupturas provocadas por discussões políticas podem ser definitivas.

Na minha infância havia apenas dois partidos. Hoje temos dezenas de legendas, e muitos defendem, inclusive, a redução desse número. A polarização, portanto, não é novidade. O que realmente mudou foi a velocidade com que a desinformação circula. As redes sociais potencializaram a disseminação de mentiras, enquanto muitos dos que as propagam demonstram enorme dificuldade para reconhecer o erro ou reparar os danos causados à honra e à reputação das pessoas.

Da minha parte, continuarei fazendo o que fazia quando menino: pesquisar em fontes confiáveis quem são os candidatos, conhecer suas trajetórias, analisar suas propostas e avaliar se elas são realmente viáveis. Não existe voto perfeito, mas existe voto consciente. E quem vota com responsabilidade aumenta muito as chances de acertar — ou, pelo menos, de errar menos.

Que, ao final deste ano, possamos olhar para os ocupantes dos governos, do Congresso Nacional e das assembleias legislativas com a tranquilidade de quem fez sua escolha de forma livre, informada e responsável. Afinal, a democracia não termina quando a urna é fechada; ela continua todos os dias, por meio da vigilância e da participação de cada cidadão.

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