Tribuna Ribeirão
DestaqueEconomiaMundo

Trump impõe taxa de 25% para o aço

Segundo dados do Instituto Aço Brasil, em 2022, os EUA compraram 49% do total do aço brasileiro: em 2024, apenas o Canadá superou o Brasil  (Vale/Divulgação )

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira, 10 de fevereiro, uma ordem executiva com a imposição de amplas tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio pelo país, inclusive sobre os embarques desses produtos pelo Canadá e do México, que juntos respondem por cerca de 40% das importações de aço dos EUA.

“Hoje estou simplificando nossas tarifas sobre aço e alumínio”, disse Trump no Salão Oval ao assinar ordens executivas. “São 25% sem exceções ou isenções”, disse. Esses produtos são exportados pelo Brasil ao país aos EUA. Procurado, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que não vai se manifestar.

O país da América do Norte é o maior comprador do aço brasileiro. Segundo dados do Instituto Aço Brasil, em 2022, os EUA compraram 49% do total do aço exportado pelo país. Em 2024, apenas o Canadá superou o Brasil na venda de aço aos Estados Unidos.

No caso do alumínio, a dependência dos EUA é menor. O país foi o destino de 15% das exportações de alumínio do Brasil em 2023. O principal comprador do alumínio brasileiro é o Canadá, que absorveu 28% das exportações desse produto naquele ano. Os dados são da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

O republicano também disse que deve anunciar, nesta terça (11) ou na quarta-feira (12), tarifas recíprocas a países que “tiram vantagem” dos EUA. Em entrevista a repórteres no avião presidencial, a caminho do Super Bowl, Trump afirmou que os Estado Unidos vão cobrar o mesmo nível de taxas impostas pelos parceiros comerciais.

“Não vai afetar todos os países, porque há alguns com os quais temos tarifas similares; mas com aqueles que estão tirando vantagem dos EUA, teremos reciprocidade”, afirmou. Após ameaçar o Canadá e o México com tarifas de 25%, Trump concedeu a ambos um adiamento de 30 dias em 3 de fevereiro. Ele também anunciou uma cobrança de 10% a importações chinesas.

As tarifas retaliatórias da China contra produtos americanos entraram oficialmente em vigor no domingo, dia 9 (segunda-feira, pelo horário de Pequim).  O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, evitou comentar o anúncio de Donald Trump.

Questionado pela imprensa sobre quais ações o Executivo brasileiro adotaria em resposta, Haddad respondeu que o governo tomou a decisão de só se manifestar “oportunamente”, com base em decisões concretas, e não em anúncios que, na avaliação do ministro, podem ser mal interpretados ou revistos.

“Então o governo vai aguardar decisão oficialmente antes de qualquer manifestação”, disse o ministro da Fazenda a jornalistas. Perguntado então se não haveria nada previsto sobre a taxação de big techs norte-americanas, Haddad voltou a dizer que vai aguardar a orientação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, depois de as medidas dos EUA serem efetivamente implementadas.

Durante o seu primeiro mandato, Trump impôs tarifas sobre o aço e o alumínio, mas concedeu depois cotas de isenção para parceiros, incluindo Canadá, México e Brasil, que são os principais fornecedores desses produtos. O professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Carlos Delorme Prado afirma que a possível taxação deve ter impacto nos setores atingidos, mas não deve causar maiores problemas para o conjunto da economia.

“Embora a taxação seja muito importante para essas indústrias, para o conjunto da economia brasileira o impacto não é tão grande assim. O Brasil vai ter que redirecionar essas exportações, ou então, o que eu acho mais importante, tentar aumentar o consumo doméstico de aço. O Brasil tem alternativas”, diz.

“É diferente do México e do Canadá, que são muito mais dependentes do mercado americano”, explicou Prado.  O especialista acrescentou que o impacto será menor para o setor do alumínio. “O setor pode sofrer indiretamente porque as exportações de produtos de alumínio do Canadá para os Estados Unidos podem cair, isso pode afetar as exportações brasileiras para o Canadá. Mas, de qualquer maneira, o impacto é menor”, completou.

 

VEJA TAMBÉM

Comercial decide não disputar Copa Paulista

Hugo Luque

Morre Oscar Schmidt, ídolo do basquete brasileiro, aos 68 anos

Hugo Luque

Polícia arquiva tragédia de lancha no Rio Grande

Luque

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com