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Vereador apresenta defesa à comissão

ALFREDO RISK/ARQUIVO

O vereador Sérgio Zerbinato (PSB) entregou na sexta-feira, 11 de março, para a Comissão Processante (CP) da Câmara de Ribeirão Preto, o material que envolve sua defesa prévia em relação à denúncia de “ra­chadinha” em seu gabinete.

A Comissão Processante ini­ciou os trabalhos em 2 de março. Zerbinato foi notificado no dia 3. O vereador teria de entregar a defesa prévia em no máximo dez dias úteis. O prazo venceu domingo (13) e também deter­minava a apresentação de uma lista de testemunhas arroladas pelo parlamentar.

Criada seguindo os parâme­tros do artigo 5º do decreto-lei federal nº 201/67, a CP é forma­da pelo presidente Igor Oliveira (MDB), pelo relator Luis Anto­nio França (PSB) e Elizeu Ro­cha (PP). As funções também foram definidas por sorteio. O trio tem 90 dias para entregar o relatório final. A comissão foi aprovada na sessão de 24 de fevereiro, por unanimidade.

Zerbinato é acusado de pro­mover, em seu gabinete, o es­quema de partilha de salários de assessores popularmente conhe­cido por “rachadinha”. Ele nega, mas também votou favoravel­mente à instalação da Comissão Processante que decidirá se deve ou não perder o mandato.

Diz que vai provar sua ino­cência durante as investigações. Foram 21 votos a favor da de­núncia. Apenas Alessandro Ma­raca (MDB) não votou porque, segundo o Regimento Interno do Legislativo, o presidente da Câmara só é obrigado a votar em caso de empate.

O caso foi levado ao plená­rio porque a defesa de Zerbinato protocolou requerimento no co­legiado questionando os trâmites seguidos no processo de investiga­ção que apura a denúncia de “ra­chadinha” em seu gabinete. Argu­menta que as resoluções número 206 e 203 do Conselho de Ética, que estabelecem o rito do proces­so de investigação, seriam ilegais por ferirem uma lei maior.

O artigo 5º, inciso II do de­creto-lei federal nº 201/1967 estabelece que, ao receber a de­núncia, a presidência da Câmara de Vereadores deve levá-la ao plenário. Ainda caberá à Comis­são Processante determinar se o processo de investigação come­çará do zero ou se aceitará parte dos procedimentos já feitos pelo Conselho de Ética.

Zerbinato é acusado pela ex­-assessora parlamentar Ivanilde Ribeiro Rodrigues de comandar, entre janeiro e agosto de 2021, um esquema de “rachadinha” dentro de seu gabinete. No Le­gislativo, o vereador é alvo do pedido de cassação protocolado na Câmara por dois munícipes.

Já na esfera judicial, o parla­mentar é alvo de ação por im­probidade administrativa pro­posta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por intermé­dio do promotor Sebastião Sér­gio da Silveira. A ação foi distri­buída para a 2ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto.

Está sob a responsabilidade da juíza Lucilene Aparecida Ca­nella de Melo. Ela deu prazo de 30 dias úteis, contados a partir da citação, para que ele se mani­feste e conteste as acusações de que é alvo. A notificação foi ex­pedida no dia 14 de janeiro.

Ao usar a tribuna da Câma­ra, antes da votação, Sérgio Zer­binato afirmou que é inocente. O parlamentar ressalta que se elegeu sem padrinhos políticos e com uma das campanhas vito­riosas mais baratas das eleições municipais de 2020. Também reafirmou o que já tinha dito em entrevista exclusiva ao Tribuna, publicada no dia 6 de fevereiro.

Zerbinato nega as acusações e afirma que as denúncias são resul­tado de uma articulação política que tem interesses diretos em uma eventual cassação de seu mandato. Diz que as articulações são moti­vadas pelo suplente do partido (o cabelereiro Giomário) e que isso já foi apontado em sua defe­sa feita junto à Câmara. Garan­te que sua ex-assessora teria se unido ao suplente e que existem vários relatos de encontros rea­lizados entre os dois, assim que ela foi afastada seu gabinete.

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