Conceição Lima*
O futuro já fala conosco… E cada mensagem é um encontro de alma e algoritmo. Porém, a tecnologia é apenas ponte, o destino é sempre humano.
Em 2026, a comunicação digital vai ser quase uma conversa entre amigos. A Inteligência Artificial irá entender melhor o que você quer, responder de forma personalizada e até usar voz, imagens e vídeos para deixar tudo mais próximo. Nada vai ser criação apenas de pessoas.
A IA vai ajudar na pesquisa, sugerir títulos, montar versões diferentes de uma mesma história e até adaptar o tom para cada situação. O criador continua no comando, mas o “parceiro digital” é que acelera o processo.
Depois do ciclo experimental de 2023 – 2025, o ano de 2026 promete uma mudança de foco da IA, de “ferramenta que responde” para “parceira que colabora”.
A Inteligência Artificial deixa de ser apenas uma novidade tecnológica (muitas vezes temida e rejeitada) e passa a fazer parte da nossa rotina. Ela não estará mais escondida nos bastidores, restrita a apenas uma “elite” de entendidos. Agora, ela pertence a todos nós e muda a forma como vivemos neste planeta. Poeticamente falando, cada momento vira um encontro de almas e máquinas.
O panorama mostra uma virada definitiva: em todos os segmentos, a máquina deixa ser simplesmente máquina e se incorpora (aliás, como todas as demais “ferramentas” do mundo) ao ser humano. A expansão trará, como sempre, tensões, vieses, impacto no emprego e na privacidade. A resposta passa por governança e processos regulatórios confiáveis. Exige também um investimento pesado em pessoas, além de diretrizes claras de qualidade e segurança.
No Brasil de 2026, a Inteligência Artificial será como um novo idioma que mistura tecnologia e afeto, já que o futuro não é só tecnologia, mas a oportunidade de reinventar o país. A IA pode ser o motor de um Brasil mais justo, criativo e conectado. A chegada de uma Inteligência Artificial mais madura vai mexer profundamente com o “palco” específico da comunicação, onde a IA é o novo instrumento que amplifica nossa voz.
A parceria entre jornalistas e sistemas inteligentes trará um atendimento automático (que entende sotaques, gírias e até emoções), cujo impacto será uma informação mais rápida, personalizada e acessível a todos, do WhatsApp ao rádio comunitário.
O jornalismo assistido vai usar IA para checar fatos, traduzir conteúdos e gerar versões multimídia de notícias, mas sempre com revisão humana para garantir credibilidade. A produção cultural (música, literatura e artes visuais) ganhará ferramentas de cocriação, permitindo que os artistas ampliem seu alcance e experimentem novas formas de expressão.
Na Saúde, a IA ajudará os profissionais a analisar exames, organizar prontuários e prever doenças, trazendo mais agilidade ao SUS, diagnósticos precoces e apoio a regiões onde faltam especialistas.
Na Educação, as ferramentas de IA assumirão as tarefas de planejamento, avaliação e registro escolar. Plataformas que adaptam o ensino ao ritmo de cada aluno propiciarão uma aprendizagem mais eficaz, contribuindo para a redução da desigualdade educacional e maior acesso ao conhecimento. Quanto à Segurança, o uso de sistemas inteligentes para detectar fraudes, crimes digitais e riscos em tempo real trará maior proteção para cidadãos e empresas.
No setor de Economia e Negócios, as ferramentas de IA vão facilitar muito a vida não somente das grandes empresas, mas também dos microempreendedores, automatizando processos inteiros e melhorando a competitividade e a inovação.
No Agronegócio e Meio Ambiente, assistentes de IA vão levar informação técnica e previsões climáticas diretamente ao produtor. Por sua vez, os sensores de IA atuarão na previsão do clima e detecção de pragas, otimizando a produção, evitando desperdícios e facilitando o cuidado com o meio ambiente.
Mas o verdadeiro impacto não estará apenas na inovação: estará na confiança, na inclusão e na poesia de uma comunicação que continua sendo, acima de tudo, humana. Só haverá um “novo Brasil” se cada inovação vier acompanhada de confiança, responsabilidade e sensibilidade, visto que o progresso sem humanidade é vazio.
O país precisa garantir que essa revolução seja inclusiva através de uma IA acessível para todos, não só para grandes centros e ética, ou seja, utilizada com transparência e respeito à privacidade, além de isenta de fake news.
Para isso, é preciso avançar em leis de proteção de dados e uso ético da IA. Também será necessária uma séria educação digital, que ensine a população a lidar com essas ferramentas de forma responsável.
No fim das contas, a Inteligência Artificial não vem para substituir a voz humana, mas para ampliá-la. O grande desafio será equilibrar inovação com confiança e sensibilidade.
Mesmo porque comunicar é tocar e só tem sentido quando toca o coração de forma verdadeira. Eis que, em 2026, os significados poderão se vestir de luz e entoar seu canto em perfeita sintonia com a Inteligência Artificial.
* Doutora em Letras, com pós-doutorado em Linguística, escritora, conferencista e palestrante, membro eleito da Academia Ribeirãopretana de Letras e da Academia membro fundador da Academia Feminina Sul-Mineira de Letras

