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Câmara deve votar CPI do IPM amanhã

Fachada do IPM de Ribeirão Preto - Foto Alfredo Risk

A Câmara de Vereadores pretende instaurar uma Co­missão Parlamentar de Inqué­rito (CPI) para investigar de­núncias envolvendo o Instituto de Previdência dos Municipi­ários (IPM). O requerimento sobre o assunto está sendo finalizado e deve ser votado na sessão online desta quinta­-feira, 16 de abril. O Tribuna apurou que, se for aprovada, a CPI do IPM será composta por Jean Corauci (PSB), Mari­nho Sampaio (MDB) e Lincoln Fernandes (PDT).

A proposta surgiu por causa de denúncias feitas na semana passada, de que o IPM de Ri­beirão Preto, que cuida da apo­sentadoria e pensões de mais de seis mil pessoas, perdeu di­nheiro com investimentos fei­tos na Bovespa. O prejuízo te­ria sido provocado pela queda das Bolsas de Valores em todo o mundo, devido à pandemia do novo coronavírus, causador da covid-19, e poderia passar de R$ 35 milhões. Os recursos investidos no mercado finan­ceiro e que teriam resultado na perda – pelo menos momentâ­nea – fariam parte do Fundo Previdenciário do IPM.

Este fundo é destinado ao pagamento de futuras aposen­tadorias dos servidores que estão na ativa e possui cerca de R$ 500 milhões em reser­vas. Na semana passada, em reposta aos questionamentos feitos pelo Tribuna, o IPM res­pondeu que os investimentos no mês de março apresenta­ram rentabilidade negativa, resultado do cenário mundial, provocado pela crise do petró­leo (guerra econômica entre a Rússia e Arábia Saudita), “ele­vada à enésima potência” pela crise da covid-19, que tem feito o mercado financeiro mundial entrar em queda.

“Importante destacar que as aplicações do IPM focadas no equilíbrio financeiro de seu Plano Previdenciário são de lon­go prazo, sofrendo variações na marcação diária do Mercado. A perda de qualquer valor só se realiza se o IPM resgatar os investimentos, o que não está ocorrendo”, afirma o instituto. De acordo com o órgão previ­denciário, não foram feitos res­gates, pois é preciso aguardar o mercado voltar à normalidade e o Plano Previdenciário permite aguardar esse prazo.

Os investimentos do Institu­to são os permitidos em lei pela resolução do Banco Central (Ba­cen) número 3.922/2010 e alte­rações. Entre os investimentos feitos estão a renda fixa (fundos de investimentos) – 85% do total de investimentos do IPM – e a variável (fundos de investimen­tos) – 15% do total de investi­mentos. O instituto afirma que segue rigorosamente a legislação sobre o tema.

Os vereadores também analisam se um áudio que va­zou pelas redes sociais da su­perintendente do IPM, Maria Regina Ricardo, será objeto da comissão. Na mensagem de voz, ela conversa com uma pessoa não identificada e ques­tiona, por exemplo, a retirada pelos parlamentares de parte do projeto de lei do Executivo aprovado no dia 7 de abril.

O projeto dispõe sobre al­terações na lei complementar nº 1012 de 17 de maio de 2000, extingue cargos e cria a função de procurador autárquico. A proposta foi aprovada com dez emendas. O texto retirado pe­los vereadores e questionado no áudio pela superintendente estabelecia a obrigatoriedade de que todas as gratificações ou aumentos dos servidores municipais fossem analisados e recebessem parecer do Con­selho do IPM.

No áudio, Maria Regina Ricardo afirma que a situação do instituto está uma “desgra­ça” e que os servidores vão ter pagamentos atrasados este ano por que a prefeitura vai gas­tar todos os recursos que tem por causa do coronavírus. A prefeitura afirmou ao Tribuna que “a gravação foi feita de for­ma clandestina, portanto, não considera as informações pro­pagadas como oficiais”. A folha do órgão previdenciário é de aproximadamente R$ 39,66 milhões por mês.

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