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A Colômbia e sua Literatura (84): Juan Sebastian Cardenas

Rosemary Conceição dos Santos*

 

De acordo com especialistas, Juan Sebastian Cardenas nasceu em Popayán, Cauca, Colômbia, em 1978. É tradutor e escritor. Como tradutor, trabalhou em textos de William Faulkner, Norman Mailer , Muriel Spark e Thomas Wolfe , entre outros.  Em 2006, publicou a coletânea de contos “Carreiras Criminais”. Em 2008, recebeu uma bolsa de escrita criativa da Residência de Estudantes de Madrid. Teve um de seus trabalhos incluído na antologia “Madrid, com desculpas”, em 2012. Publicou os romances “Buzz” (2010), “The Strata” (2013), “Ornamento” (2015), “Você e Eu, uma Pequena Novela Russa” (2016) e “O Diabo das Províncias” (2017).

Em “Peregrino Transparente”, de 2023, Henry Price, um pintor inglês que trabalha para a Comissão Corográfica, uma expedição científica que viaja pela Colômbia em 1850, segue o rastro de um misterioso e talentoso artista local cuja identidade é envolta em pouco mais do que fofocas locais. O que começa como um mero interesse profissional — um artista fascinado por outro — acaba se tornando uma obsessão, uma aventura filosófica e um caminho de aprendizado para o pintor estrangeiro, que, durante a expedição, se verá envolvido no turbilhão político da jovem república.

Romance imponente e hipnótico, nele é possível identificar todos os fantasmas do mundo contemporâneo desfilando, projetados na cortina do século XIX: a geopolítica das mercadorias, o racismo como tática de dominação global, as representações coloniais dos trópicos, a destruição da natureza pelas mãos de um capitalismo irracional, mas também utopias e a imaginação de futuros possíveis para a espécie humana.

Escrito com o pulso e a ambição de grandes clássicos como Zama , Moby Dick  ou  O Grande Sertão , é uma obra de virtuosismo singular – ao alcance apenas de uma voz em seu exato ponto de maturidade – capaz de misturar gêneros tão díspares quanto o ensaio artístico, a poesia, o faroeste ou a literatura de aventura

Um trecho? “En estos días he dejado que mi cabeza se pierda en una fantasía irresponsable, sin ningún propósito intelectual. Es algo que sencillamente sucede dentro de ella, de esa cabeza, en forma de imágenes que se van desplegando por sí solas, arrastradas por un ansia oscura”. Traduzindo, “Nestes dias deixei que a minha cabeça se perdesse numa fantasia irresponsável, sem nenhum propósito intelectual. É algo que simplesmente acontece dentro dela, dessa cabeça, em forma de imagens que se vão desdobrando por si sós, arrastadas por um anseio escuro”.

 

Professora Universitária*

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