Mário Palumbo *
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O mistério da Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino é inefável. É luz ofuscante. Tentar compreender a Santíssima Trindade é como querer colocar o oceano em um pequeno buraco da praia, como diz Santo Agostinho. Nos evangelhos, Cristo afirma várias vezes a sua unidade com o Pai: Eu e o Pai somos Um. No Gênesis, Deus ao criar o homem disse: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Por “façamos” nós intuímos a pluralidade das pessoas divinas. Estudando a imagem podemos vislumbrar um pouco sobre a natureza divina. São João diz que Deus é amor. No amor existe o amante, o amado e a reciprocidade. Aqui temos Pai, Filho e Espírito Santo.
Voltando à imagem, que somos nós, refletimos um pouco a respeito do surgimento das ideias. Como elas surgem? Através dos sentidos podemos percebê-las. De tanto ver um objeto, um copo, que pode ser grande, pequeno, branco, preto, etc, nós nos abstraímos do copo singular e criamos a imagem do copo que não é esse ou aquele, que não é nem branco nem preto, nem pequeno nem grande. A isso, nós damos um nome: copo. Esta abstração mental fica sempre na nossa mente, mas é distinto de nós mesmos e do copo em si. Nós precisamos de muitas ideias, mas em Deus há uma única ideia. Assim se passaria na Santíssima Trindade: o Pai tem uma única “ideia”, o Filho que gera no hoje eterno, o Filho está sempre no Pai mas é uma pessoa distinta dele. Entre Pai e Filho existe uma relação de amor, esta relação é o Espírito Santo que une Pai e Filho. No pensamento único do Pai compreende-se tudo, e através Dele tudo é feito, as coisas visíveis e invisíveis. Somos o produto desse amor infinito que se manifesta na criação. Somos também a resposta inteligente e livre a este Trinitário Amor. Como disse Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e faremos nele morada.” (João 14:23)
Para a teologia cristã, cada sacramento é um ato onde a Trindade atua em conjunto: o Pai é a fonte da graça, o Filho é o mediador dessa graça, e o Espírito Santo é quem a santifica e a aplica na alma do fiel.
A palavra de Jesus é de amar o próximo, condição de viver na Santíssima Trindade, como filhos amados. Vivendo o amor de Jesus, nós entramos no círculo trinitário, amando a Deus e o próximo. Nisso consiste toda a perfeição e a felicidade.
* Professor e padre casado

