Por Hugo Luque
A caminhada do Brasil rumo ao hexacampeonato nesta Copa do Mundo terá seu primeiro episódio de vida ou morte nesta segunda-feira (29), às 14h (de Brasília), no Houston Stadium, nos Estados Unidos, contra o Japão. O duelo é válido pela segunda rodada da competição, o novo estágio de 16 avos.
Será a primeira vez deste novo estágio eliminatório de 32 participantes divididos em 16 partidas. Em campo, estarão todos os primeiros e segundos colocados da fase de grupos, além dos oito melhores terceiros nas chaves. Desta forma, apenas 16 países ficaram pelo caminho após três jogos.
A seleção brasileira não enfrentou grande perigo nos pontos corridos, disputados nos Estados Unidos. No Grupo C, a equipe de Carlo Ancelotti empatou com Marrocos por 1 a 1 na estreia, no último dia 13, em East Rutherford, Nova Jersey. No dia 19, veio a primeira vitória: 3 a 0 sobre o Haiti, na Filadélfia. Já na última quarta-feira, outro “chocolate” por 3 a 0, diante da Escócia.

Os triunfos tranquilos garantiram o conjunto verde e amarelo na liderança da chave, com sete pontos, à frente de Marrocos pelo saldo de gols (6 a 3). A Escócia terminou no terceiro posto, com três pontos, e o Haiti ficou zerado, na lanterna.
As atuações brasileiras evoluíram a cada rodada. No primeiro confronto, Vinícius Júnior marcou o gol que igualou o jogo, depois de os marroquinos saírem na frente. Na sequência, contra o frágil Haiti, Vini Jr. anotou mais um e Matheus Cunha, com dois tentos, assumiu de vez a titularidade no comando do ataque. Diante dos escoceses, amplo domínio da Canarinho e primeiro jogo com mais de dez finalizações (foram 21 no total). Vini, duas vezes, e Matheus Cunha foram à rede.
Algumas foram as mudanças promovidas por Ancelotti nos primeiros jogos. Na defesa, Danilo assumiu a lateral-direita no lugar de Ibañez. Já no meio e no ataque, Igor Thiago deu lugar a Matheus Cunha e Raphinha, lesionado, foi substituído por Rayan, um dos destaques da rodada final. Assim, com a disputa em andamento, o técnico italiano parece ter encontrado uma escalação ideal.
“Agora estamos jogando como uma equipe. Esse é o objetivo. Não estamos perfeitos, temos coisas a melhorar. Podemos ser um pouco mais rápidos quando temos o controle, mas estou contente porque o time melhorou muito e, agora, estamos sólidos. No mata-mata, a solidez é muito importante. Temos um time sólido. Comparando com o primeiro jogo, temos menos erros, mais ritmo e mais efetividade na frente”, analisou o comandante.
Perigo asiático
Do outro lado, o Brasil terá pela frente uma das equipes mais promissoras e perigosas desta Copa. Ágil, entrosado e disciplinado, o Japão tem como principais valias os ataques rápidos e o excelente jogo conjunto.
Foi assim que o conjunto asiático passou invicto pelo forte Grupo F. A Holanda ficou na primeira posição, com sete pontos, seguida pelo Japão, com cinco, Suécia, com quatro, e Tunísia, com zero. Na primeira rodada, os nipônicos fizeram um dos melhores jogos deste Mundial diante dos holandeses. Em Arlington, nos Estados Unidos, o embate terminou empatado em 2 a 2.
Já na segunda partida, o Japão não demonstrou piedade diante do país mais fraco da chave. Kamada, Ueda (duas vezes) e Ito marcaram na goleada por 4 a 0 sobre a Tunísia. Para fechar a fase inicial, confronto direto com a Suécia, que também disputava a segunda posição. Maeda, em uma pintura coletiva, abriu o placar, mas Elanga empatou para os suecos logo em seguida, com uma bela finalização de longe.
O histórico das partidas entre Brasil e Japão é totalmente favorável aos sul-americanos. Foram 11 vitórias da Canarinho (uma delas válida pela Copa de 2006, por 4 a 1), apenas uma dos Samurais e dois empates. O problema é que o único resultado favorável ao time asiático aconteceu no encontro mais recente, em outubro. Em Tóquio, os donos da casa triunfaram por 3 a 2 no amistoso. Por isso, um dos artilheiros da equipe, Maeda, confia na possibilidade de chocar o mundo e eliminar o maior campeão mundial.
“Acho que será um jogo difícil, mas se jogarmos bem o nosso jogo, acho que podemos vencer o Brasil. Então, antes de tudo, quero me recuperar bem e me preparar adequadamente. Como eu disse antes, se conseguirmos colocar em prática o que construímos até agora, acho que podemos vencer”, afirmou o atacante após o empate com a Suécia.
“Tivemos resistência para permanecer [na Copa] e estamos felizes de poder entrar no mata-mata. Vamos nos dedicar. Agora teremos o mata-mata, daremos tudo e vamos procurar a vitória. Vamos lutar para vencer e batalhar até o final nos próximos jogos”, acrescentou o técnico Hajime Moriyasu.
Quem joga?
Além do desempenho, outro destaque da última partida da seleção foi o retorno de Neymar. Recuperado de uma lesão na panturrilha sofrida em 17 de maio, durante jogo do Santos pelo Campeonato Brasileiro, o camisa 10 participou de cerca de 20 minutos do jogo contra a Escócia e foi elogiado por Ancelotti em seu primeiro jogo com a Canarinho desde outubro de 2023.

“[Neymar] trabalhou e treinou para se recuperar com muito profissionalismo e muita seriedade. Ele, por suas qualidades, pode ajudar o time nessa Copa do Mundo. Jogou bem os poucos minutos que jogou”, afirmou o treinador, que também exaltou o jovem Rayan, de 19 anos.
“Fez um trabalho completo a nível defensivo e ofensivo, jogou muito bem. Estou muito satisfeito com a partida que jogou, é parte importante ser jovem. Tem maturidade, trabalha muito, tem qualidade. Acho que, no geral, ninguém sabe onde seu nível pode chegar”, completou o italiano.
Desta forma, a expectativa é que, sem Raphinha, Rayan seja titular novamente. Neymar, por outro lado, deve ser arma para o segundo tempo no calor de Houston, que promete bater 34ºC na segunda, embora o estádio seja coberto e climatizado.
Uma provável escalação tem: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Rayan, Vinícius Júnior e Matheus Cunha.

