Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, Alberto Salcedo Ramos é um escritor nascido em Barranquilla em 1963. Colunista regular do suplemento dominical Papel, do jornal madrilenho El Mundo, é professor permanente da Fundação Ibero-Americana para o Novo Jornalismo (FNPI), fundada por Gabriel García Márquez, e em diversos programas de mestrado em jornalismo, como os oferecidos pelo jornal La Nación (em Buenos Aires) e pela Universidade dos Andes. Ministrando oficinas de jornalismo narrativo em vários países, Salcedo Ramos conquistou, entre outras distinções, o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha, o Prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset, o Prêmio de Excelência da Associação Interamericana de Imprensa (AIP) (duas vezes), o Prêmio Nacional de Jornalismo Simón Bolívar (cinco vezes), o Prêmio de Melhor Livro de Jornalismo do Ano da Câmara do Livro da Colômbia e o Prêmio de Melhor Documentário na II Conferência Ibero-Americana de Televisão, realizada em Cuba.
Inteligente, observador e profundamente ligado à literatura, Salcedo Ramos escreveu o livro “Ouro e Trevas”, reportagem que tem aspectos de um perfil biográfico e a estrutura de um romance. A obra conta a história de um ex-boxeador, mergulhando em sua alma e psique. Com esse gênero de perfil biográfico, o autor buscou explorar a condição humana e fazer com que os leitores, ao conhecerem uma pessoa em profundidade, com todas as suas forças e fraquezas, acabassem, de certa forma, conhecendo-se melhor.
Indagado pela imprensa sobre o que seus leitores devem entender quando ele dizia “crônica colombiana”, assim responde Salcedo Ramos “Quando escrevo sobre uma situação ou uma pessoa do meu país, aspiro à universalidade. Não quero que meu trabalho seja rotulado com nenhuma nacionalidade. Escrever sobre um jogador de futebol argentino não é escrever uma crônica argentina, assim como produzir um perfil de um músico cubano não é o mesmo que publicar uma crônica cubana. Hemingway costumava dizer que contar a história de um homem é contar a história de todos os homens. É a isso que aspiro, embora às vezes escreva sobre pessoas do meu país e outras vezes sobre pessoas de outros lugares”.
Sobre as referências ao estilo de vida dos afro-colombianos, presentes na obra “Ouro e Trevas”, e como esse estilo de vida pode ser compreendido em outros países, afirma o autor: “Quando conto histórias, abordo certos conflitos inerentes ao ser humano. É verdade que esses conflitos são em parte determinados pelo espaço geográfico a que pertencemos, mas também é verdade que existem problemas essenciais comuns a todas as pessoas: desgosto amoroso, doença, guerra, morte. Tolstói costumava dizer: ‘Retrate bem as pessoas e você será universal’. É isso que tento fazer. Seja qual for o tema, e independentemente da origem das pessoas sobre as quais escrevo, aspiro a essa universalidade. (…) Aspiro a ser um autor que acompanha o leitor, uma espécie de contador de histórias que narra contos em caminhadas ou ao redor de fogueiras. Sempre me interessei por cultivar um estilo que transmita intimidade, um estilo que, de certa forma, dilua a imagem do escritor profissional, a figura do escritor que quer exibir suas habilidades literárias, que quer ser visto como alguém experiente. Vargas Llosa diz que toda literatura é artifício, mas é preciso se esforçar para torná-la invisível. Não quero que meu estilo seja um obstáculo para o leitor, mas sim um fio condutor invisível. Prefiro a ideia de seduzir à de convencer”.
Professora Universitária*



