Tribuna Ribeirão
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Fidel e Cuba

André Ali Mere *
andré[email protected]

Li recentemente um artigo do escritor Frei Betto em um jornal de grande circulação nacional. Neste artigo, o frade dominicano lembra os 100 anos de nascimento de Fidel Castro. Chamou-me a atenção como ele se referia ao ditador cubano de uma forma absolutamente romantizada.

Fidel foi apresentado como uma pessoa dócil. Não fiquei chocado, pois todos aqueles que se fecham em ideologias radicais, relativizam as atrocidades de seus ídolos e este me parece ser o caso do Frade e de tantos outros intelectuais de esquerda.

Estive em Cuba duas vezes. A primeira foi 1990. O Muro de Berlim havia caído há pouco tempo e os países, antes comunistas, estavam se rendendo ao modelo da democracia liberal.

“Quero conhecer uma país comunista antes que acabe”, pensei comigo.

Visitei a capital Havana, cidade muito agradável e com tons semelhantes a Salvador. Estive também na cidade histórica de Trinidad, na menos conhecida Cienfuegos, em Varadero, balneário à beira do Atlântico e por último em Cayo Largo, praias maravilhosas no lado caribenho.

Os anos 90 também foram marcados pelo fim da remessa de recursos financeiros que a antiga União Soviética enviava anualmente ao regime amigo. Aí começaram as dificuldades financeiras.

Já faltava combustível, tanto é que o voo de volta da antiga Vasp, que fazia a rota SP/Havana/SP teve que voar até Miami para reabastecimento.

Por toda Cuba, a propaganda revolucionária era visível nas ruas, em outdoors improvisados, nos comitês pró revolução. Passados 30 anos, o povo cubano, por sinal, acolhedor, tinha que tolerar os mártires da Revolução, Fidel, Che, Camilo Cienfuegos etc.

Voltei com a seguinte impressão “Cuba ainda vive a Revolução” e não me parece que vai mudar.

A minha segunda visita á Cuba foi 2017. Fidel já tinha morrido. Seu irmão, Raul Castro, havia assumido. Alguns poucos cubanos ousavam falar um pouco de política. Alguns bares e restaurantes tinham sido abertos, propiciando um mínimo de liberdade empresarial, embora já não se viam os grandes investimentos na Rede Hoteleira, principalmente de espanhóis.

Sempre refletindo sobre como Cuba poderia ter tido um destino mais próspero. Afinal de contas, uma ilha com 10 milhões de pessoas, banhada pelo Atlântico e pelo Caribe, com clima favorável, poderia facilmente viver do turismo, proporcionando mais dignidade a seu povo.

Não faltaram conselhos de pessoas ilustres como o do escritor Guilhermo Cabrera Infante, já falecido, que percebeu ainda nos 60 o desastre que se avizinhava. Aos costumes, a sonhada revolução socialista virou uma tirania

Cuba está na penúria não é por causa do desequilibrado Trump, mas pela ditadura que assola o país

Oremos pelos cubanos!!

* Empresário

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