Valdir Avelino *
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Há uma expressão que se tornou quase obrigatória no marketing de quem pretende ser gestor da vida pública: “fazer mais com menos”. A frase aparece não só no marketing dos candidatos, mas também em discursos de gestores, apresentações de resultados e justificativas para reorganizações administrativas, quase sempre associada à ideia de eficiência. Ninguém é contrário ao uso responsável dos recursos públicos. O problema surge quando a redução de despesas passa a ser tratada, por si só, como prova de boa gestão, sem que se examine a qualidade do serviço prestado e as condições em que ele continua funcionando.
Uma escola que atende o mesmo número de alunos após perder funcionários pode ter reduzido custos, mas isso não significa necessariamente que tenha se tornado mais eficiente. O mesmo vale para uma unidade de saúde que mantém centenas de atendimentos com uma equipe menor ou para um setor administrativo que distribui entre os servidores remanescentes as tarefas de quem saiu ou se aposentou. Em todos esses casos, a despesa pode diminuir imediatamente, enquanto os efeitos da redução de pessoal aparecem de forma gradual. Por isso, avaliar eficiência exige olhar para um conjunto mais amplo de resultados.
Há custos que aparecem claramente no orçamento e outros que ficam escondidos por algum tempo. Quando uma vaga deixa de ser preenchida, a economia com o salário é facilmente identificada, enquanto os gastos futuros com contratações temporárias ou terceirizações nem sempre são considerados. Também não aparecem de imediato na planilha o aumento do tempo de espera, o acúmulo de tarefas ou a sobrecarga das equipes. Uma análise séria precisa levar em conta esses efeitos, porque eles fazem parte do custo real de qualquer decisão administrativa.
No serviço público municipal, a saída de um servidor ou servidora raramente significa o desaparecimento das tarefas que realizavam. Na maior parte das vezes, essas atribuições são absorvidas pelos colegas que permanecem no setor, permitindo que o serviço continue funcionando por algum tempo sem uma interrupção visível.
Para evitar que uma unidade pare, que uma fila aumente ainda mais ou que determinado serviço deixe de ser prestado, as equipes assumem tarefas adicionais e reorganizam suas rotinas. Esse esforço pode transmitir a impressão de que a redução do quadro foi absorvida sem consequências. Com o tempo, porém, surgem sinais de desgaste, como aumento de afastamentos, perda de qualidade e capacidade de planejamento.
A sobrecarga favorece adoecimento, absenteísmo, conflitos internos, erros e necessidade crescente de horas extras, além de reduzir o tempo disponível para atividades que exigem planejamento e acompanhamento mais cuidadoso. Em determinadas situações, a falta de servidores permanentes acaba sendo compensada posteriormente por contratos temporários ou terceirizações mais caras. Uma decisão que parecia produzir economia pode, portanto, apenas deslocar o custo para outro momento ou para outra rubrica do orçamento.
Há ainda uma característica própria do serviço público que precisa ser considerada nesse debate. Grande parte das atividades municipais envolve relações humanas que não podem ser avaliadas exclusivamente pela velocidade com que são concluídas. Atender um paciente, acompanhar uma família, orientar um cidadão, trabalhar com uma criança ou compreender uma situação social exige tempo, escuta e atenção. Uma gestão preocupada apenas em aumentar o número de atendimentos pode produzir indicadores aparentemente melhores, embora o serviço oferecido se torne mais superficial e menos capaz de resolver os problemas apresentados.
Em Ribeirão Preto, essa discussão merece ser feita com dados, planejamento e transparência, porque o debate sobre eficiência interfere diretamente na qualidade dos serviços públicos e na vida de quem os presta. Uma Prefeitura organizada precisa saber quantos trabalhadores são necessários em cada área, quais setores apresentam maior sobrecarga e quais economias produzem benefícios efetivos ao longo do tempo. A boa gestão não se mede apenas pelo quanto se conseguiu gastar menos, mas pela capacidade de utilizar bem os recursos disponíveis para oferecer serviços públicos de qualidade. É essa combinação que transforma economia em eficiência de verdade.
É evidente que a direção do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis defende uma administração pública eficiente, capaz de prestar bons serviços à população. Mas entendemos que a eficiência depende de condições adequadas de trabalho, de servidores em número suficiente, de valorização profissional e do fortalecimento permanente do serviço público municipal. Para nosso Sindicato, valorizar o serviço público significa planejar adequadamente, respeitar os concursos realizados, convocar os aprovados quando houver necessidade de pessoal e preservar a capacidade do Município de prestar diretamente serviços essenciais.
* Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

