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O Cérebro Envelhecido Bem-Sucedido

José Aparecido Da Silva*

 

Há quem meça a passagem do tempo pelo número de velinhas sobre o bolo de aniversário ou pelas marcas discretas que o espelho insiste em revelar a cada manhã. Contudo, quando observamos a vida desenrolar-se nas praças, nas calçadas ou ao redor de uma mesa de café em uma manhã de domingo, percebemos que envelhecer é um processo muito mais amplo. Trata-se, acima de tudo, de uma jornada compartilhada.

Longe de ser uma simples contagem regressiva da biologia, ou o momento de se recolher após a aposentadoria, o envelhecimento ganha sua cor mais bonita nos afetos que cultivamos. Nós não envelhecemos sozinhos; envelhecemos em relação com o mundo, com os amigos, com a família e com a comunidade da qual fazemos parte. A ciência contemporânea confirma aquilo que a sabedoria popular sempre soube: a solidão pesa, mas a convivência cura. Estar cercado de laços sinceros e manter-se integrado à vida comunitária funciona como um verdadeiro escudo para a mente e para o corpo. Um bom papo na calçada, o voluntariado em uma entidade do bairro ou o abraço acolhedor dos netos não apenas trazem alegria imediata, mas ajudam a proteger a memória, reduzem os níveis de estresse e fortalecem as nossas defesas naturais. Porque o afeto e o pertencimento são, literalmente, ingredientes para uma vida mais longa e saudável.

Outro aspecto fascinante que o tempo nos traz é a sabedoria da seleção emocional. Conforme os anos avançam, tendemos a ficar mais exigentes com o nosso tempo e energia. Deixamos de lado pequenos conflitos desnecessários para priorizar aquilo que realmente importa: encontros significativos, conversas leves e relacionamentos que tragam paz ao coração. A maturidade nos ensina a olhar para o lado positivo das experiências e a guardar na lembrança sobretudo o que foi bom. Portanto, cultivar uma boa velhice é um projeto coletivo. Exige que a sociedade abra espaço para a voz e a experiência dos mais velhos, mas exige também que cada um de nós continue curioso e aberto ao novo. Aprender uma habilidade diferente, participar de grupos, adotar novas tecnologias para conversar com quem está longe ou simplesmente dedicar um tempo para ouvir alguém são atitudes que mantêm a mente vibrante e o espírito jovem.

Neste domingo de sol, que tal olhar ao redor e nutrir as conexões que dão sentido aos nossos dias? Afinal, o segredo de somar anos com qualidade não está apenas em cuidar do corpo, mas em garantir que a nossa caminhada continue sendo enriquecida por boas companhias. Um telefonema, um café sem pressa ou um sorriso sincero podem ser o melhor remédio para o corpo e para a alma.

 

Professor Titular Sênior da USP-RP*

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