José Aparecido Da Silva
Diferente do que muitos pensam, imaginar não significa fugir da realidade, mas sim expandi-la. É a habilidade de criar cenários que ainda não existem, de antecipar soluções para problemas complexos e de enxergar o mundo através dos olhos de outra pessoa. Quando nos colocamos no lugar do próximo para compreender suas dores e alegrias, é a imaginação empática que está em pleno funcionamento, sustentando os laços de afeto e convivência em sociedade.
Durante muito tempo, acreditou-se que a capacidade de criar e fantasiar era um dom nato — algo com que alguns nasciam e outros não. No entanto, o conhecimento científico atual nos mostra um panorama muito mais animador: a imaginação é uma faculdade viva, flexível e profundamente moldável. Ela se comporta como um músculo que se fortalece com a prática. Cada livro lido, cada obra de arte contemplada, cada conversa instigante e até os momentos de jogo e fantasia na infância funcionam como combustível para enriquecer nosso repertório mental.
Por trás dessa magia diária, o cérebro realiza uma dança fascinante e harmoniosa. Em vez de uma única região responsável por criar imagens e ideias, o ato de imaginar exige uma colaboração sutil entre diferentes redes mentais. É um equilíbrio perfeito entre a liberdade total — aquele estado em que a mente vaga livremente sem amarras — e um controle suave, que seleciona e lapida as melhores ideias para transformar sonhos em projetos concretos. É esse diálogo interno que permite a um cientista conceber uma nova descoberta, a um empreendedor inovar em seu trabalho ou a um artista compor uma canção.
Na prática do dia a dia, a imaginação é o motor que nos permite ressignificar experiências difíceis, encontrar caminhos onde antes só víamos obstáculos e projetar um futuro melhor. Ela está presente tanto nas grandes revoluções humanas quanto na escolha simples de como organizar o nosso dia. Logo, conceder a si mesmo o luxo de não fazer nada por alguns instantes. Deixar os pensamentos soltos, fechar os olhos e permitir que a mente viaje por caminhos não percorridos, mostra como pode ser simples e corajoso gesto de imaginar.
Professor Titular Sênior da USP-RP*




