O repórter fotográfico Alfredo Risk traz mais uma fotografia da série Nosso Espaço. Depois de captar imagens da Nebulosa da Hélice (ou Hélix, NGC 7293), conhecida popularmente como “Olho de Deus” ou “Olho de Sauron”, em 26 de outubro, o fotógrafo do Tribuna clicou a “Nebulosa Cabeça de Cavalo” (ou Barnard 33), na constelação de Orion.
As imagens foram captadas na madrugada de quarta-feira, 4 de novembro, entre duas horas e 4h20, a partir de Ribeirão Preto. Trata-se de uma “nebulosa escura” (densa nuvem opaca de poeira e gás molecular), situada logo abaixo da estrela Alnitak (Zeta Orionis), uma das três que compõem as famosas “Três Marias” (Cinturão de Órion).
Fica a aproximadamente 1.300 a 1.500 anos-luz de distância da terra, com extensão real entre 3,5 a 16 anos-luz de comprimento. A massa estimada é de 300 solares. A silhueta que lembra a cabeça de um cavalo só é visível por causa de um contraste cósmico perfeito.

Tela de Fundo Brilhante (IC 434) – Atrás da “Cabeça de Cavalo” existe uma enorme parede de gás hidrogênio. Estrelas massivas e jovens próximas (especialmente a Sigma Orionis) bombardeiam esse gás com radiação ultravioleta, fazendo-o brilhar em uma tonalidade intensamente avermelhada.
A Sombra Escura (Barnard 33) – A “Cabeça de Cavalo” em si é uma nuvem extremamente fria, espessa e densa de poeira cósmica que fica à frente desse brilho. Ela bloqueia completamente a passagem da luz visível vinda de trás, agindo como um “teatro de sombras” no espaço.
Longe de ser uma estrutura estática, a nebulosa é uma região viva e em constante transformação. A altíssima densidade de gás molecular e poeira em seu interior faz com que a gravidade aglomere essa matéria. O local funciona como um berçário estelar ativo, gerando principalmente estrelas de baixa massa em sua base.
A radiação severa das estrelas vizinhas está lentamente corroendo e esculpindo a nuvem de gás. Estimativas científicas indicam que a estrutura tem um tempo de vida limitado e deve se desintegrar completamente em cerca de 5 milhões de anos.
Descoberta Histórica – A nebulosa não foi descoberta olhando diretamente por um telescópio óptico comum, mas sim por meio da astrofotografia. Ela foi identificada em 1888 pela astrônoma escocesa Williamina Fleming (1857-1911). Fleming descobriu a silhueta enquanto examinava e catalogava minuciosamente chapas fotográficas de vidro no Observatório da Universidade de Harvard.
Para tirar essa foto, Alfredo Risk utilizou um telescópio Coletti 115mm f/6.1 com câmera dedicada Touptek ATR533MC, e na montagem equatorial EXOS2 com Motorização OnstepX. Foram 28 frames de cinco minutos cada. Ele também usou um filtro especifico, chamado L-Ultimate.
O filtro bloqueia poluição luminosa da cidade e a luminosidade da Lua, deixando passar somente as ondas de gás da nebulosa, que são o hidrogênio na cor vermelha e o oxigênio na cor azul-esverdeado. No pós-processamento essas fotos são empilhadas e tratadas, resultando nessa única imagem.
A descobridora – A astrônoma escocesa Williamina Paton Stevens Fleming (15 de maio de 1857 – 21 de maio de 1911) ajudou a desenvolver um sistema de classificação comum para estrelas e catalogou milhares de estrelas e outros fenômenos astronômicos. Fleming é conhecida principalmente pela sua descoberta da “Nebulosa Cabeça de Cavalo” em 1888.
Fleming contribuiu catalogando estrelas no Henry Draper Catalogue. Em nove anos, ela catalogou mais de dez mil estrelas. Durante sua pesquisa, ela descobriu 59 nebulosas, cerca de 310 estrelas variáveis, e 10 novas. Em 1907, ela publicou uma lista de 222 estrelas variáveis que ela descobriu.
Em 1899, Fleming recebeu o título de Curadora de Fotografias Astronomicas. Em 1906, tornou-se integrante honorária da Royal Astronomical Society de Londres. Logo depois, virou honorária em astronomia na Wellesley College.
Pouco depois de sua morte, a Astronomical Society of Mexico a premiou com a medalha Guadalupe Almendaro por sua descoberta de novas estrelas. Ela publicou A Photographic Study of Variable Stars (1907) e Spectra and Photographic Magnitudes of Stars in Standard Regions (1911).

